YouTube lança página para defender suas políticas de remoção de conteúdo

YouTube lança página para defender suas políticas de remoção de conteúdo
Alvo frequente de críticas por suas decisƵes de moderaĆ§Ć£o, plataforma tenta responder a cinco questionamentos frequentes. YouTube publica pĆ”gina para explicar algumas de suas diretrizes de conteúdo.

Dado Ruvic/Reuters

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O YouTube lanƧou na última quinta-feira (22) uma pĆ”gina sobre desinformaĆ§Ć£o e conteúdos impróprios na plataforma, para tentar defender a maneira como aplica suas políticas.

O material, chamado "5 mitos e fatos", tem posicionamentos sobre questƵes como "o YouTube nĆ£o consegue combater fake news pois nĆ£o possui uma política sobre o tema". A novidade é extensĆ£o de um portal de transparência lanƧado em setembro pela companhia.

A plataforma de vídeos é destino frequente de materiais compartilhados em grupos no WhatsApp, e uma fatia deles contém conteúdo falso ou que induz a erro, como apontou um levantamento do G1 no início deste ano.

Na nova pĆ”gina, o YouTube diz que a desinformaĆ§Ć£o é tratada "com diversas ferramentas", que envolvem remoĆ§Ć£o de vídeos, destaques de fontes confiĆ”veis e reduĆ§Ć£o de recomendaƧƵes de conteúdo duvidoso e desinformaĆ§Ć£o nociva.

Saiba mais: Vídeos de YouTube com informaƧƵes falsas somam milhƵes de visualizaƧƵes e alimentam debate político no WhatsApp

Ao fim de cada "mito", a pĆ”gina tem um link para um "saiba mais", que amplia a resposta e leva os leitores a mais links sobre suas políticas.

No entanto, a seĆ§Ć£o dedicada a responder se "o YouTube nĆ£o remove conteúdo inadequado" diz que a plataforma tem "políticas claras que determinam qual conteúdo é permitido", sem apresentar um link que mostre essas diretrizes.

Conteúdos 'duvidosos'

O YouTube tem sido questionado nos últimos anos por supostamente dar espaƧo a vídeos com discurso de ódio, teorias da conspiraĆ§Ć£o e por manter os usuĆ”rios em "bolhas", reforƧando as recomendaƧƵes de vídeos similares.

A plataforma jĆ” foi criticada por governos que disseram que ela nĆ£o fazia o suficiente para remover conteúdo extremista, e por anunciantes, que boicotaram o serviƧo por um breve período, quando anúncios foram colocados ao lado de vídeos considerados inadequados pelas empresas.

No ano passado, a empresa anunciou mudanƧas no sistema de recomendaĆ§Ć£o de vídeos, pouco tempo depois de ter sido acusada de ser usada por pedófilos para ver vídeos de crianƧas em roupas de banho e de remover milhares de filmagens que violavam suas políticas de terrorismo.

De acordo com a companhia, as alteraƧƵes nos algoritmos de recomendaĆ§Ć£o teriam reduzido o consumo de conteúdos "duvidosos" como curas milagrosas a doenƧas graves, afirmaƧƵes de que a Terra é plana ou que faƧam alegaƧƵes falsas sobre eventos históricos.

Questionada por que o YouTube mantém vídeos como esses, a gerente de políticas públicas do YouTube, Juliana Nolasco, disse ao G1 que hĆ” "uma preocupaĆ§Ć£o em permanecer como uma plataforma aberta".

"Queremos continuar trazendo multiplicidade de vozes, mas ao mesmo tempo nos preocupamos com a seguranƧa dos usuƔrios", afirmou Nolasco.

"Quando acreditamos que um conteúdo é duvidoso, reduzimos a recomendaĆ§Ć£o. E nĆ£o tomamos essa decisĆ£o sozinhos, fazemos com parceiros e parceiras [especialistas nos temas]", completou.

Definindo as diretrizes

Para definir um vídeo "limítrofe", que nĆ£o fere as diretrizes da plataforma, mas tem o seu alcance reduzido, sĆ£o levadas em consideraĆ§Ć£o 9 ou mais opiniƵes diferentes, segundo o YouTube.

A companhia nĆ£o detalha como esses especialistas sĆ£o escolhidos, e diz apenas que algumas Ć”reas exigem "especialistas certificados", como em questƵes médicas. NĆ£o existe uma pĆ”gina que reúna as pessoas ou instituiƧƵes que colaboraram nesses casos.

O consenso definido pelos especialistas é utilizado nos sistemas de aprendizado de mĆ”quina, que sĆ£o os algoritmos desenvolvidos para detectar automaticamente vídeos que possam ferir as regras do YouTube.

Alguns desses conteúdos "duvidosos" também podem receber um selo de checagem de fatos, que utiliza informaƧƵes de parceiros da plataforma.

Política de remoĆ§Ć£o

Se por um lado o YouTube é alvo de críticas por nĆ£o moderar alguns conteúdos, parte do público aponta que a plataforma pode agir como um "Ć”rbitro" ou errar em suas decisƵes.

A gerente de políticas públicas do YouTube afirma que todas as regras sĆ£o aplicadas "independente de quem publica o conteúdo".

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"O desafio é na formulaĆ§Ć£o das políticas e na aplicaĆ§Ć£o delas de uma forma justa. Por isso temos um processo de notificaĆ§Ć£o para os usuĆ”rios nos avisarem de conteúdos que podem ferir as regras", disse Juliana Nolasco ao G1.

"Também temos um mecanismo para aqueles que tiveram um conteúdo removido possam apelar da decisĆ£o", completou.

Nesses casos, o conteúdo é reavaliado por um membro diferente do YouTube. Em seguida, o vídeo pode ser restabelecido, receber uma restriĆ§Ć£o de idade ou continuar fora do site.

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