Febre Sindical
A extremada proliferação do número de sindicatos que ocorreu no Brasil nos anos recentes acabou por comprometer a própria viabilidade do sistema sindical como um todo. A falta de racionalidade das ‘lideranças representativas’ de empregados, empregadores, autônomos, profissionais liberais, enfim, de todos os agrupamentos profissionais do Brasil, fez multiplicar a quantidade de entidades sindicais existentes, que foram, proporcionalmente, perdendo representatividade, prestígio e poder. Sedentos dos poderes e prerrogativas dos sindicatos, e, principalmente, dos recursos da contribuição compulsória, aproveitadores e oportunistas foram com muita sede ao pote, e acabaram sacrificando a galinha dos ovos de ouro.

Não encontrei números confiáveis sobre a situação mundial, mas certamente o Brasil lidera com folga o ranking de entidades sindicais. De acordo com o site de notícias da Band (band.com.br - notícias do Metro Jornal, em 21/8/2017), o país abrigava na época mais de 17.200 entidades sindicais, cerca de 90% do total mundial de sindicatos; e outros devem ter sido criados de lá para cá. Os segundos colocados na lista, África do Sul e Estados Unidos, contavam com 190 sindicatos; a Alemanha, país símbolo da indústria eficaz, mantinha 16 entidades; até a vizinha Argentina, que também é chegada numa burocracia trabalhista, tinha apenas 91.
Obviamente, a situação do sistema representativo sindical chegou a um ponto insustentável; com isso, o governo conseguiu mexer num tema até então intocável: a CLT e os sagrados direitos trabalhistas; aprovou aquele início de reforma e aproveitou para acabar com a vida mansa dos sindicatos, extinguindo a contribuição compulsória.
Em minha opinião, o saldo pode ser positivo para os sindicatos.
Perderam os recursos fáceis, mas ganharam de volta as prerrogativas da representação sindical legítima, deixaram de ser meros homologadores para reassumir o protagonismo nas relações capital X trabalho. Resta saber quantos e quais sindicatos conseguirão adaptar-se aos novos tempos. Será necessário rever conceitos, implementar serviços, reaprender a negociar, restaurar a importância e prestígio perante seus representados.
É preciso que os dirigentes façam, urgentemente, uma avaliação isenta de suas entidades, seu potencial e suas fraquezas, e iniciem imediatamente um programa de valorização de sua existência e de seu trabalho. Muitos sindicatos vão morrer de inanição. Os que sobrarem, tenho certeza de que irão recuperar a importância e prestígio.
Até a semana que vem.
Marcelo Mesquita
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