O desembargador Fernão Borba Franco, da da 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou pedido de agravo de instrumento, feito pela ex-vereadora de Pradópolis (SP) Marlene Aparecida Galiaso, envolvida na Operação QI, deflagrada pela Polícia Civil, sobre eventuais irregularidades praticas sobre concursos públicos.

No ano passado a Justiça havia condenado a ex-vereadora a 23 anos e 7 meses de prisão por chefiar uma organização criminosa que atuou na fraude de licitações e de concursos públicos nas regiões de Ribeirão Preto (SP), Franca (SP) e São José do Rio Preto (SP). Outras 20 pessoas, entre agentes públicos, políticos, servidores e advogados, foram condenadas no processo.
Marlene, que atuava como parlamentar pelo PV, foi presa em 2015. O esquema foi revelado na Operação QI, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o Ministério Público, o esquema causou um prejuízo de R$ 2,6 milhões aos cofres públicos.
Deflagrada em julho de 2015, a operação do Ministério Público em conjunto com a Polícia Civil concluiu que a vereadora era proprietária de duas empresas que fraudaram concursos entre 2014 e 2015.
Segundo a Promotoria, foram apontadas fraudes em concursos realizados em cidades como Mesópolis, São Francisco, Estrela D'Oeste, Ibirá, Votuporanga, Fernandópolis, Bady Bassit, Pontal, Tabatinga, Matão, Itápolis, Dobrada, Viradouro, Bebedouro, Jaboticabal e Suzanópolis.
Os gabaritos de concursos e processos seletivos eram adulterados após a realização das provas, para que pessoas indicadas pelas prefeituras, câmaras ou pela própria vereadora fossem favorecidas.
Em alguns casos, integrantes da quadrilha fizeram as provas já sabendo as respostas, com o intuito de obter boa pontuação e figurar entre as primeiras colocações no resultado final. Ao serem convocados, no entanto, os falsos candidatos desistiam.
Segundo a investigação, os responsáveis pelas fraudes recebiam cerca de R$ 3 mil por processo seletivo adulterado e R$ 5 mil no caso de concursos. Quando o esquema envolvia cargos de alto escalão, o valor chegava a R$ 35 mil.
Também foram detectadas irregularidades em licitações promovidas em municípios como Santa Ernestina, Motuca, Dobrada, Tabatinga, Fernandópolis, Mirassol, Barretos, Porto Ferreira, Restinga, Monte Alto e Pitangueiras.
As empresas que participavam do processo licitatório firmavam um acordo informal, que determinava quem venceria a disputa. Nove empresas participavam do esquema, incluindo uma prestadora de serviços em que Marlene era uma das sócias.
Bens dos acusados, estimados em R$ 476 mil, foram bloqueados pela Justiça para eventuais ressarcimentos.

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