O Resina durou pouco mais de 6 anos e tenho orgulho de dizer que fizemos história na música local. Durante aquele tempo fomos praticamente a única banda de rock da cidade. Pelo menos os únicos que se apresentavam regularmente. Que levavam público aos shows. Tocamos e ficamos conhecidos em toda a região. Foram muitos shows e muita diversão. Fizemos inúmeras amizades, talvez o principal de tudo. Mesmo sem a banda, nós, integrantes, continuamos também muito amigos e próximos.

Mas a banda acabou, eu acabei a faculdade de Jornalismo e até meus cabelos acabaram.
Bem, por uns 2 ou 3 anos eu continuei tocando, mas sozinho. Em casa, com minha guitarra e meu violão. Ou nas inúmeras festinhas para as quais eu era convidado e levava a viola, ou ainda numa canja ou outra com alguma banda que via tocar e era convidado. Nada mais que isso. Foi uma época de entressafra.
Até que numa bela manhã de sábado de 1997 eu chamei meus camaradas Gerson Pinto, o Caju, e o saudoso Eduardo de Carvalho, o Fininho, para dar uma sapeada na Prisma Musical, do também amigo Beno, em Pirassununga. Minha ideia era ver um baixo, instrumento que toquei primeiro do que a guitarra e com o qual sempre me dei melhor.
Gostei, na época, de um Washburn coreano, modelo Fender Jazz Bass. Preto com escudo branco e braço escuro. Mas a grana estava curta. E eu ainda teria que comprar um amplificador maior do que aquele que eu tinha para a guitarra. Fiquei na loja fazendo doce. Até que o Caju, com sua extrema sapiência de monge tibetano, lascou doce e candidamente: “PQP! Se Deus me desse o dom de tocar qualquer coisa eu comprava o melhor!” Sábias palavras. Comprei o set baixo-amplificador e dividi o valor a perder de vista, como sempre fazia com o Beno.
O baixão era meio pesado, mas tinha um timbre muito bom. Foi um reencontro apaixonante. Em poucas semanas já estava pegando o jeito e a manha tudo de novo, além dos calos nos dedos da mão direita que dedilhavam as cordas. Também comecei a treinar a técnica de slap, que consiste em bater na corda com a lateral do polegar e dar uma puxada nas cordas inferiores com o indicador ou anular.
Foi também nessa época que comecei a ouvir mais black music. Tanto nacional quanto internacional. Claro, as linhas de baixo são bem mais legais. Artistas como Gilberto Gil, Djavan e Ed Motta passaram a tocar mais em casa. Assim como bandas como Earth, Wind & Fire e outras da época “disco”, além de Stevie Wonder.
Até que um dia ouvi numa rádio um som que parecia ser de Mr. Wonder, mas estava um pouco diferente. Esperei para ver se o locutor dizia o nome de banda e ele falou um nome estranho: Jamiroquai. Na hora fui numa loja da cidade e encomendei o último disco da banda, sem nem saber do que se tratava. O disco chegou e eu fiquei babando naquela mistura de “disco”, funk, soul, jazz, dance, mas com uma pegada mais moderna. Alguns meses depois, os caras estouraram em todas as rádios e numa coisa nova para mim naquele ano: a MTV, que passei a acompanhar pela DirecTV.
Na próxima coluna, a volta aos palcos, agora empunhando as quatro cordas.

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