Daniel San, hoje Sandamí, ex-Sambô, nome conhecido atualmente em todo o Brasil, ficou com o Resina apenas por um ano, 1992. Tempo que muita gente acredita ter sido o melhor da banda. Fizemos aberturas de medalhões na Feife (quando ainda era no areião), viramos ídolos em Tambaú – em Descalvado, então, nem se fala –, terceira vez no Dia S do Sindgatos (com vários vídeos postados no Youtube, inclusive, é só procurar), festivais, nossos shows tinham casa sempre cheia.

O clima entre nós também era dos melhores, como sempre tinha sido. Aliás, nunca teve “treta”, como se diz hoje, dentro da banda. Sempre imperou uma amizade e respeito muito grandes entre todos. É até engraçado isso, porque brigas em bandas são coisas muito comuns. Nem brigas musicais tínhamos. A gente curtia muito o que fazia, curtia tocar junto, ensaiar, se apresentar, viajar.
Só que inocentes no showbizz que ainda éramos, mesmo já contando com um bom tempo de estrada, não percebemos todo o potencial do Daniel San. Nós, não, mas gente mais calejada, sim. Na virada para 1993 o descalvadense Jefferson Lício, o grande Fefo, meu ídolo na guitarra, macaco velho que era, chamou nosso garoto para a sua nova banda de baile, a Banda Hollywood.
O San chegou até nós mais sem graça do que ricota para comunicar a saída da banda. Não me lembro ao certo, mas se bobear ele até deve ter perguntado pra gente se ele poderia sair. E recebeu o apoio incondicional de todos. Garanto, sem uma ponta sequer de mágoa. Pelo contrário, todos ficamos muito, mas muito felizes com o convite que lhe fizeram. A gente se viraria sem ele. Sempre nos viramos.
Veja como são as coisas. Alguns meses depois, a tal Banda Hollywood enfim viria fazer um baile aqui no Clube de Campo. Era a chance de ver novamente o San num palco e matar a curiosidade de como ele estava se saindo na nova banda.
Lembro que era uma noite que fazia um frio glacial. O San ficava ao lado da bateria com um set de percussão, tocando um pouco de tudo, e cantando. Até que no meio do baile a banda se retira e fica apenas ele no palco, com seu pandeiro, fazendo todo aquele show que todo mundo já viu. Foi o ponto alto do baile. Assisti a tudo maravilhado. Embora não fosse novidade nenhuma para mim, era a primeira vez que assistia àquilo que víamos de um jeito informal nos ensaios, com produção e tudo o mais.
Com algumas cubas na cabeça, foi aí que finalmente minha ficha caiu. Aquilo era um show, entretenimento, arte pura. Showbizz. Em nossa inocência, durante um ano não percebemos o que tínhamos na mão. Eu ria sozinho de nossa ingenuidade.
Ainda manteria contato com San por algum tempo. Da Hollywood, ele foi para o Unidade 2, de Ribeirão Preto, banda que marcou os anos 90 em Porto Ferreira e região. Sempre que estava fazendo bailes por aqui a gente conversava e coisa e tal. Paralelamente ao U2, ele montou outra banda em Ribeirão, chamada PB Messias. Cheguei a dividir palco com eles numa mesma ocasião. Além disso, tocamos juntos uma outra vez em Ribeirão, pós Resina, quando o Cilder estava morando por lá e fez uma festinha com os amigos músicos em seu aniversário.
A fase Sambô eu já não peguei, porque depois que me casei e veio a filharada eu pouco conseguia sair na noite. Mesmo assim, sabia pelos amigos que nas vezes em que o San esteve aqui com a banda sempre fazia questão de falar da gente nos microfones.
Até que no ano passado tive o grande prazer de reencontrá-lo, já em carreira solo, antes do seu show no Clube de Campo. Incrível. O mesmo garoto, a mesma simplicidade, mais genial que nunca. Um baita orgulho ter de alguma forma contribuído para a sua brilhante carreira musical. Só agradeço.

 

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