Empresários ferreirenses dos ramos de hotelaria e alimentação entraram em contato com a Redação do Jornal do Porto para denunciar a empresa contratada pela Câmara Municipal para reforma do prédio do Poder Legislativo local. Segundo os comerciantes, a empresa Colinaz Engenharia, de Jundiaí (SP), não teria pago valores referentes a estadias e alimentação.

A gerente de uma das empresas de hotelaria, por exemplo, disse à reportagem que a conta da Colinaz no estabelecimento chega a quase R$ 10 mil. Ali ficaram hospedados quatro funcionários. A empresa pagou uma primeira parte, mas depois não houve mais pagamentos. Isto aconteceu por volta de outubro e novembro. Os contatos foram feitos com a empresa, a princípio com duas funcionárias, mas não houve mais retorno.
Em outro hotel a dívida é menor, de cerca de R$ 1,5 mil. O proprietário disse que “ninguém fala com o responsável” pela Colinaz. “Ele não atende nossas ligações. Soube que não atende os outros [empresários] também. Mandei um Whatsapp, ele visualizou, mas não retornou”. O comerciante diz que soube também de calote em outros estabelecimentos da cidade, como lanchonetes e restaurantes, que variam de R$ 1 mil a R$ 5 mil. E que ninguém também consegue contato com a empresa.
O dono de uma das empresas de alimentação já havia feito a denúncia ao jornal antes do Carnaval. Esta semana a reportagem tentou um novo contato, mas ele está em viagem e só retorna na próxima semana.
Os empresários agora pensam no que fazer para receber o que lhes é de direito. “Uma coisa que eu fico indignado é que é uma empresa contratada pela Câmara Municipal, [pensei] que fosse uma coisa boa, né?”, comenta. Assim, eles estudam entrar em contato com o Legislativo para que seja tomada alguma atitude por parte da Casa.
“Não estamos dizendo que a Câmara deva ser responsabilizada por essas dívidas. Mas os vereadores poderiam interceder em nosso favor, fazer uma pressão ou outra coisa assim”, disse. E finalizou dizendo que trouxe o caso à imprensa local para que outros comerciantes da cidade também sejam alertados. “Nós não sabemos ao certo quantos foram lesados”, concluiu.

Adiamentos – No segundo semestre de 2017 a Câmara contratou a empresa Colinaz para a execução de reforma e adaptação de suas dependências, no valor de R$ 156,7 mil. Porém, desde o final de dezembro já houve três prorrogações de prazo para o término da obra. A última foi publicada na última sexta-feira (16), dando mais 25 dias de prazo contados a partir de 17/02.
Este é um indício de que a empresa pode estar com problemas de caixa para conclusão do serviço. E o calote no comércio local só colabora com esta tese. Até agora, segundo o portal de transparência da Câmara, já foram pagos R$ 79,1 mil à empresa.
É a segunda reforma que a Câmara faz em pouco mais de um ano. A outra aconteceu em 2016, quando foi reformado o plenário da Casa. Embora de menor valor, a licitação (pregão presencial) e o contrato, assinado pelo então presidente Luiz Antônio de Moraes, o Maguila (PPS), estão sob análise do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que apontou falta de “economicidade”.

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