Campus Party se prepara para edição global on-line e espera 10 milhões de participantes

Campus Party se prepara para edição global on-line e espera 10 milhões de participantes
Evento que acontece entre os dias 9 e 11 de julho ser√° gratuito e participantes poder√£o doar recursos para os Médicos Sem Fronteiras. Ser√£o mais de 5 mil palestras em 31 países. Campuseiros circulam entre as barracas do acampamento da Campus Party 2019. Em 2020, evento ser√° on-line.

F√°bio Tito/G1

Antes mesmo de a pandemia de coronavírus chegar ao Brasil, os organizadores da Campus Party, um dos principais eventos tecnológicos realizados no país, sabiam que a edi√ß√£o deste ano seria diferente.

"Nosso quartel general est√° na periferia de Mil√£o, que foi o segundo lugar onde a pandemia chegou e tivemos lockdown. Em fevereiro j√° sabíamos que teríamos problemas para fazer uma Campus Party presencial", afirma Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party. Em 2020, o evento j√° trocou de data, saindo do início do ano, época em que ocorria tradicionalmente, para julho.

A solu√ß√£o escolhida para driblar a pandemia foi justamente a digital, t√£o próxima aos campuseiros, nome dado os participantes do evento.

"Nossas palestras j√° s√£o por stream ao vivo, nosso público tem familiaridade com ferramentas digitais. Por que n√£o fazer todas virtuais, em v√°rios lugares do mundo em um único momento?"

Essa escolhe permitiu que o evento de 2020 seja gratuito e e simult√Ęneo em 31 países. Tudo pode ser acompanhado pelo YouTube e pelo site do evento, que v√£o transmitir as palestras. No Brasil, a Campus Party ser√° a partir de três lugares: Brasília, Amazônia e Goi√°s.

Em cada um deles haver√° "palcos" tem√°ticos — tudo on-line — com assuntos e palestrantes relevantes para a regi√£o. É possível assistir às palestras que acontecem nos outros países, mas elas ser√£o transmitidas em língua local. As palestras principais ser√£o em inglês.

Segundo Farruggia, a organiza√ß√£o do evento fez um investimento recorde em uma plataforma on-line, capaz de abrigar a estrutura de acesso digital. Eles também fecharam um acordo com o YouTube para garantir a transmiss√£o.

Edição gratuita

De acordo com Farrugia houve grande apoio dos patrocinadores do evento e de governos parceiros quando a solução proposta foi migrar o evento para o digital por conta da pandemia.

Campuseiro usa gorro 'viking' na Campus Party 2019

F√°bio Tito/G1

A resposta dos campuseiros também foi positiva e o grupo que organiza o evento optou por tornar a edi√ß√£o gratuita.

A organiza√ß√£o fechou uma parceria com os Médicos Sem Fronteiras e os participantes ser√£o convidados a fazer doa√ß√Ķes para a institui√ß√£o, que reverter√° o dinheiro para familiares de médicos e enfermeiros que morreram no combate à pandemia de coronavírus.

Mantendo a interação

Embora seja um evento de tecnologia — conhecido pelas maratonas de hacking e pelo entusiasmo dos participantes, que levam computadores e montam verdadeiras estruturas — a Campus Party tem um tra√ßo de intera√ß√£o social bastante distinto. É comum que os campuseiros fa√ßam contatos profissionais e pessoais e até conversem com palestrantes pelos corredores do evento.

Campuseiros mostram os bastidores da Campus Party

Em uma edição digital, essa interação fica limitada. Farruggia explica que a solução foi a adoção de um chat na plataforma de transmissão escolhida.

Campuseiro pilota um drone na arena de drones da Campus Party 2019, que fica na √°rea aberta ao público

F√°bio Tito/G1

"É um ônus comparado com o relacionamento físico, mas o chat vai permitir fazer perguntas, pedir informa√ß√£o, participar", afirma. Ele explica ainda que a oportunidade de conhecer pessoas e fazer contatos se expande na edi√ß√£o on-line: os organizadores esperam que 10 milh√Ķes participem do evento em todo o mundo.

"N√£o tem a m√°gica da Campus Party, que é uma energia concentrada muito grande. Por outro lado, no Brasil temos pedidos de fazer outra edi√ß√£o global antes do final do ano", disse.

Principais palestrantes

A edi√ß√£o global da Campus Party vai contar com 5 mil palestras em 3 dias, entre 9 e 11 de julho. No Brasil, ser√£o três eventos digitais: em Brasília, Goi√Ęnia e na Amazônia, que recebem "palcos" tem√°ticos e palestrantes de interesse.

A Campus Party ter√° também um palco global, uma se√ß√£o de palestras em que grandes nomes da internet e do setor de tecnologia v√£o debater assuntos como automa√ß√£o, an√°lise de dados e o futuro da rede. Todas essas palestras s√£o em inglês.

Veja os principais nomes do evento global, com data e hora :

09/07, às 11h: Don Tapscott, presidente executivo do Instituto de Pesquisa em Blockchain discute a segunda era da internet

10/07, às 10h: a engenheira Monique Morrow fala sobre o conceito de "realidade extendida", e como realidades aumentadas e virtuais ir√£o expandir o conhecimento coletivo;

10/07, às 12h: Tim Berners Lee, um dos inventores da World Wide Web, Al Gore, político americano respons√°vel por leis de expans√£o da internet nos EUA, e Vinton Cerf, co-desenvolvedor do protocolo TCP/IP discutem o futuro da internet

10/07, às 14h: Sharron McPherson, co-fundadora do Centro para Tecnologias Disruptivas, debate o futuro do aprendizado na √Āfrica

11/07, às 11h: Edward Snowden discute o tema desta edi√ß√£o: "Como reiniciar o mundo";

11/07, às 12h: Jon 'maddog' hall, presidente do conselho do Instituto Profissional Linux, discute o uso de open culture em novas empresas;

11/07, às 13h: Alishba Imran, Isabella Grandic e Nina Khera, três adolescentes envolvidas com empreendedorismo e pesquisa científica, discutem seus projetos e trabalhos e como ajudar a impulsionar a humanidade para o futuro;

11/07, às 14h: Phil Campbell, que j√° trabalhou como diretor de cria√ß√£o em franquias de filmes como O Poderoso Chef√£o e James Bond, fala sobre o processo de design durante uma pandemia;

11/07 às 15h30: Ricardo Cappra, renomado cientista de dados, debate como observar fatos e usar os dados para tomar decis√Ķes melhores.