Mangueira, Mocidade, Tuiuti e Viradouro saem na frente no quesito samba-enredo

Por Jornal do Porto em 23/02/2020 às 16:08:18


Agremiações se destacam no disco com a safra do Grupo Especial no Carnaval carioca de 2020. Resenha de álbum

Título: Sambas de enredo 2020

Artistas: Vários

Gravadora: Universal Music

Cotação: * * *

? Já houve safras mais inspiradas de sambas-enredo no Carnaval carioca do que os 13 sambas das escolas do Grupo Especial que desfilarão neste domingo, 23 de fevereiro, e na segunda-feira. Sobretudo se o confronto for com os sambas apresentados pelas agremiações nas áureas décadas de 1960, 1970 e 1980. Também já houve safras bem piores em Carnavais recentes.

Entre sambas bons, sambas razoáveis e sambas ruins, a safra reunida no disco Sambas de enredo 2020 resulta na média dos últimos três anos. A atual campeã Mangueira, por exemplo, figura com samba, A verdade vos fará livre (Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo), valorizado pela letra poética sobre um Jesus humanizado.

Mesmo sem a força do samba da verde-e-rosa no Carnaval de 2019 (História pra ninar gente grande, um dos raros clássicos instantâneos do gênero nos últimos 20 anos), A verdade vos fará livre se impõe entre os destaques da safra de 2020.

No quesito samba-enredo, a Mangueira sai na frente ao lado da Paraíso do Tuiuti, da Unidos do Viradouro e da Mocidade Independente de Padre Miguel. Fluente e com pegada afro, o samba da Tuiuti tem o bamba Moacyr Luz entre os compositores e, não por acaso, a letra de O santo e o rei – Encanterias de Sebastião embute alusões no enredo carioca a versos de um dos maiores sucessos do cancioneiro autoral de Luz, Saudades da Guanabara (1989), parceria do compositor com Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro.

Como a força de um samba-enredo também se prova na avenida, com o calor e o coro popular, a Viradouro tem tudo para fazer bonito com samba cujo enredo são as Ganhadeiras de Itapuã. O refrão do samba Viradouro de alma lavada já se insinua incendiário na gravação do disco. E, se o critério for empolgação e refrão, o samba da Mocidade, Elza deusa Soares, já tem pinta de favorito da torcida.

Se a Grande Rio se supera com Tatalondirá – O canto do caboclo no quilombo de Caxias, o que pouco significa para agremiação de sambas historicamente fracos, a Unidos de Vila Isabel decepciona com o samba e com o desenvolvimento do enredo Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil. Já Guajupiá, terra sem males também resulta aquém do histórico da Portela, mas superior aos sambas já esquecíveis apresentados pela União da Ilha do Governador e pela Estácio de Sá.

Beija-Flor, Salgueiro, São Clemente (apostando na crítica social) e Unidos da Tijuca (com Dudu Nobre e Jorge Aragão no time de autores), apresentam sambas razoáveis que, dependendo do desempenho dos componentes, podem ganhar peso e notas na Marquês de Sapucaí diante dos jurados. Porque o disco Sambas de enredo 2020 apresenta somente a trilha sonora do Carnaval carioca.

É na avenida que os 13 sambas crescerão ou se apequenarão diante da força motora do folião, desde sempre o único verdadeiro campeão do Carnaval.

Fonte: G1

Cavaliani

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