Facebook vai priorizar remoção de conteúdo de ódio contra grupos minoritários

Facebook vai priorizar remoção de conteúdo de ódio contra grupos minoritários
Rede social est√° ajustando seus algoritmos para ter foco maior em publicações com mensagens ofensivas a negros, gays e outros grupos. Facebook vai ajustar seus algoritmos de detecção de conteúdo de ódio para priorizar determinados grupos.

AP Photo/Jenny Kane

O Facebook vai passar a priorizar o uso de seus algoritmos de moderação para remover conteúdo ofensivo contra negros, gays e outros grupos historicamente atacados.

As mudanças nos sistemas que detectam xingamentos e discurso de ódio de forma pró-ativa ainda estão em est√°gios inicias, de acordo com documentos obtidos pelo jornal "Washington Post".

O G1 confirmou com fontes que essas mudanças serão realizadas e que, por enquanto, só valem em inglês.

O objetivo da alteração é que a rede social remova mais publicações ofensivas direcionadas para pessoas negras, muçulmanos, judeus e a comunidade LGBTQ+. As publicações contra os demais grupos serão mantidas nas regras, mas irão depender de denúncias feitas por usu√°rios.

Isso ser√° feito com o uso priorit√°rio de inteligência artificial para determinados ataques – os sistemas da companhia vão focar na remoção autom√°tica de afirmações como "pessoas gays são nojentas" em comparação com "homens são porcos", como indica o "Washington Post".

As regras do Facebook e Instagram não permitem discurso de ódio, e publicações violentas ou que desumanizem grupos com base em sua raça, gênero, sexualidade e outras características estão entre as proibidas pela empresa.

Até agora, os algoritmos da companhia não faziam distinções entre grupos com maior probabilidade de serem alvos de ataque.

An√°lises internas da rede social identificaram que esse tratamento, muitas vezes, resultou na remoção de conteúdos que protestavam contra o racismo, por exemplo.

Mesmo com as mudanças, publicações contra todos os grupos serão consideradas como discurso de ódio.

A diferença é que a remoção de conteúdos considerados menos prejudiciais depender√° mais das denúncias dos próprios usu√°rios.

Os documentos obtidos pelo jornal americano apontam que essa decisão ir√° diminuir as remoções de conteúdo em cerca de 10 mil publicações por dia.

"Sabemos que o discurso de ódio dirigido a grupos sub-representados pode ser o mais prejudicial, e é por isso que focamos nossa tecnologia em encontrar o discurso de ódio que os usu√°rios e especialistas nos dizem ser o mais grave", disse a porta-voz do Facebook, Sally Aldous, em comunicado (veja íntegra abaixo).

A mudança é anunciada em meio à pressão de grupos de direitos civis que h√° muito tempo reclamam que a empresa faz pouco contra o discurso de ódio.

No início deste ano, mais de 1.000 anunciantes boicotaram o Facebook para protestar contra seu tratamento ao discurso de ódio e desinformação.

Saiba mais: Por que grandes empresas decidiram boicotar o Facebook

A moderação de conteúdos nas redes sociais é frequente alvo de críticas de especialistas e usu√°rios.

H√° questionamentos sobre a agilidade das remoções, sobre a consistência da aplicação de regras e, em outros casos, sobre possíveis restrições à liberdade de expressão.

Leia a íntegra do posicionamento da porta-voz do Facebook:

"Sabemos que o discurso de ódio direcionado aos grupos sub-representados pode ser o mais danoso, e é por isso que focamos nossas tecnologias na busca do discurso de ódio que usu√°rios e especialistas nos dizem ser os mais sérios. No último ano, nós também atualizamos nossas políticas para detectar mais discurso de ódio implícito, como conteúdos mostrando Blackface, estereótipos sobre judeus controlando o mundo, e banimos a negação do Holocausto. Graças a investimentos significativos em nossas tecnologias, detectamos de forma proativa 95% do conteúdo que removemos e vamos continuar a melhorar a maneira como aplicamos nossas regras na medida em que o discurso de ódio evolui no decorrer do tempo" - Sally Aldous, porta-voz do Facebook.

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