Twitter e Facebook bloquearam páginas e postagens nesta campanha eleitoral nos EUA; relembre casos

Twitter e Facebook bloquearam páginas e postagens nesta campanha eleitoral nos EUA; relembre casos
Empresas agiram contra publicaƧƵes de Donald Trump ou de apoiadores consideradas equivocadas ou que incitavam a violência. Sede do Twitter em SĆ£o Francisco, nos EUA

Jeff Chiu/AP

As restriƧƵes aplicadas nesta quinta-feira (15) pelo Twitter e pelo Facebook a publicaƧƵes de links para uma reportagem do "New York Post" fazem parte de uma série de aƧƵes das duas empresas de redes sociais nestas eleiƧƵes presidenciais dos Estados Unidos.

O texto em questĆ£o tratava de um suposto encontro do entĆ£o vice-presidente Joe Biden, atual candidato democrata à Casa Branca, com um consultor da empresa ucraniana de energia Burisma. Enquanto o Twitter proibiu usuĆ”rios de compartilharem links para a reportagem, o Facebook diminuiu o alcance de postagens com o conteúdo do "New York Post".

Por causa da publicaĆ§Ć£o, o Twitter chegou a bloquear momentaneamente a conta oficial da campanha de reeleiĆ§Ć£o do presidente Donald Trump, que compartilhou o conteúdo sobre Biden e a empresa ucraniana.

Sede do Facebook, na Califórnia

Thiago Lavado/G1

Ainda esta semana, o Twitter suspendeu contas que supostamente pertenciam a apoiadores afro-americanos de Trump. Em sua justificativa, a rede social alegou a prĆ”tica de spam e manipulaĆ§Ć£o da plataforma.

NĆ£o é a primeira vez neste ano de eleiĆ§Ć£o nos EUA que as empresas agem para bloquear postagens que julgam mentirosas ou com informaƧƵes que alegam nĆ£o ter confirmaĆ§Ć£o. Como as medidas atingem sobretudo o republicano Donald Trump, o atual presidente afirmou mais uma vez que as redes tentam silenciĆ”-lo.

Relembre outros casos abaixo:

Conspiracionistas

No comeƧo deste mês, o Facebook anunciou o banimento de todos os perfis ligados ao movimento conspiracionista QAnon de suas plataformas, mesmo que eles nĆ£o incluam conteúdos violentos. O Youtube seguiu a recomendaĆ§Ć£o das outras redes e passou também a banir esse conteúdo.

QAnon é um movimento conspiracionista norte-americano que apoia sem restriƧƵes Trump, que, segundo eles, é herói de uma batalha contra grupos satĆ¢nicos. O grupo, no entanto, é considerado pelo FBI como uma ameaƧa potencial de terrorismo interno.

A empresa disse que a mudanƧa é uma atualizaĆ§Ć£o da política criada em agosto, quando foram removidas 1,5 mil pĆ”ginas, grupos e perfis sobre o grupo que discutiam violência.

Roger Stone

Ex-conselheiro de Donald Trump, Roger Stone deixa a Corte Distrital em Washington, após ser condenado, na quinta-feira (20)

Reuters/Mary F. Calvert

Assessor de longa data de Trump e amigo pessoal do presidente, Roger Stone teve 50 pƔginas pessoais e profissionais ligadas a ele removidas do Facebook.

A plataforma de rede social disse que Stone e seus associados, inclusive um apoiador proeminente do grupo de direita Proud Boys da Flórida, estado-natal de Stone, usaram contas e seguidores falsos para divulgar livros e postagens do aliado de Trump.

Stone foi condenado recentemente por mentir para o comitê de inteligência do Legislativo a respeito de suas tentativas de entrar em contato com o WikiLeaks, que divulgou e-mails de Hillary Clinton, adversĆ”ria de Trump em 2016.

InformaĆ§Ć£o errada sobre Covid-19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante comício no Pitt-Greenville Airport, em Greenville, na Carolina do Norte, na quinta-feira (15)

AP Photo/Evan Vucci

O Twitter bloqueou temporariamente em agosto a conta oficial da campanha de reeleiĆ§Ć£o do candidato Donald Trump por causa de uma postagem com informaĆ§Ć£o errada sobre a Covid-19, doenƧa causada pelo novo coronavírus.

Na mensagem publicada pela conta @TeamTrump, o mandatĆ”rio afirmava que as crianƧas sĆ£o "quase imunes" à Covid-19, o que viola as regras contra a desinformaĆ§Ć£o na rede social, explicou um porta-voz da plataforma.

O Facebook também removeu, no mesmo dia, uma publicaĆ§Ć£o semelhante sobre o coronavírus e as crianƧas. Foi a primeira vez que a plataforma tomou uma medida do tipo.

"Este vídeo inclui falsas alegaƧƵes de que um grupo de pessoas é imune à Covid-19, o que é uma violaĆ§Ć£o da política sobre desinformaĆ§Ć£o em relaĆ§Ć£o à Covid", disse o porta-voz do Facebook, Andy Stone.

Diferentemente do que disseram as publicaƧƵes, a Covid-19 pode, sim, acometer os mais jovens e evoluir para quadros mais graves da doenƧa — ainda que a letalidade em crianƧas seja comparativamente mais baixa.

Contas na Romênia

Também em agosto, o Facebook removeu uma rede sediada na Romênia que reunia contas que apoiam a campanha de reeleiĆ§Ć£o de Trump.

Muitas das 35 contas do Facebook e 88 do Instagram fingiam ser norte-americanas, e algumas administravam pĆ”ginas de apoio a Trump, violando as regras da rede social sobre o que chama de comportamento inautêntico coordenado.

A rede tinha um alcance pequeno, com 1.600 seguidores no Facebook e 7.200 no Instagram, que é controlado pelo Facebook

VotaĆ§Ć£o por correio

Pessoa coloca carta em caixa do ServiƧo Postal dos EUA em Filadélfia, nesta sexta-feira (14)

Rachel Wisniewski/Reuters

Em maio, o Twitter marcou com uma sugestĆ£o para que os leitores checassem os fatos nas postagens de Trump sobre supostas fraudes no envio de cédulas eleitorais pelo correio — modalidade de votaĆ§Ć£o permitida na maior parte dos Estados Unidos e sobre a qual o atual presidente vem lanƧando dúvidas.

Segundo um porta-voz do Twitter, as marcas nos dois posts desta terƧa foram incluídas porque os tuítes "contêm informaƧƵes potencialmente enganosas sobre os processos de votaĆ§Ć£o, e foram rotulados para fornecer um contexto adicional".

Trump protestou contra a decisĆ£o e acusou o Twitter de "sufocar a liberdade de expressĆ£o". No dia seguinte, o presidente ameaƧou fechar ou regular as empresas de mídias sociais e assinou decreto que permite que os sites sejam processados por moderar publicaƧƵes de usuĆ”rios — medida com consequências mais políticas do que prĆ”ticas.

Protestos nos EUA e 'glorificaĆ§Ć£o da violência'

Também em maio, o Twitter sinalizou que uma postagem de Trump sobre os protestos em Minneapolis "glorificava a violência", mas nĆ£o removeu o conteúdo.

"Esses bandidos estĆ£o desonrando a memória de George Floyd, e eu nĆ£o deixarei isso acontecer. Acabei de falar com o governador Tim Walz e lhe disse que o Exército estĆ” com ele. Qualquer dificuldade e nós assumiremos o controle, mas, quando o saque comeƧar, o tiroteio comeƧarĆ”. Obrigado!", dizia a postagem do presidente.

Acompanhando a postagem, o Twitter marcou a seguinte declaraĆ§Ć£o:

"Este tuíte violou as regras do Twitter por glorificar a violência. No entanto, o Twitter determinou que pode ser do interesse do público que o tuíte permaneƧa acessível."

VÍDEOS: EleiƧƵes nos EUA 2020

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