Em defesa da brasilidade do 31 de outubro: O Saci

Haloween uma ova! Desculpem-me os leitores e os professores de inglês pela expressão, mas 31 de outubro é o dia do SACI! Ou do folclore nacional. Prefiro o dia do Saci, pois 22 de agosto, a partir de 1965, é considerada a data do folclore nacional. Celebrar o Haloween é a mesma coisa que celebrar o Papai Noel do Pólo Norte, com roupa de inverno, num calor infernal! Mas como dizia o macaco Simão: "aqui é o país da piada pronta; rá, rá, rá, rá..." Um país tão vasto e riquíssimo em sua traição oral e cultura popular ter que se submeter a um estrangeirismo. Perdoem-me, pois recuso-me a me sujeitar a isto! E vou explicar os motivos de o SACI ser um símbolo nacional. Há um Projeto de Lei Federal, nº2.762 de 2003, do Deputado Federal Chico Alencar, de transformar o dia 31 de outubro em Dia do Saci. Mas, aqui, pouca coisa boa vai pra frente.

O Saci, na sua origem, representa a miscigenação de raças: um negro de uma perna só, com carapuça vermelha na cabeça e cachimbo na boca, com nome indígena e remodelado por um homem branco. Vamos aos detalhes. O saci se tornou uma figura marcante na literatura infantil, ao ser apropriado pelo escritor Monteiro Lobato e reproduzido em seus livros, demonstrando as influências da cultura afro-brasileira e indígena na modelação e construção sócio histórica deste personagem folclórico.

O saci de Lobato nasceu após uma série de artigos de Lobato no "Estadinho" do Jornal "O Estado de São Paulo", em 1917, pedindo aos leitores que enviassem contribuições sobre o que conheciam do Saci. Após reunir estas informações, Lobato abriu um concurso para artistas plásticos retratarem o Saci em suas obras (fato interessante: anterior a Semana de 22). O resultado dos artigos e da concurso foi o livro "O Saci-Pererê: Resultado de um inquérito, lançado em 1918. O Relatório de um Inquérito foi uma das primeiras publicações de Lobato. O saci lobatiano foi lançado em abril de 1921.


O Saci de Lobato e um francês meio ferreirense

O saci lobatiano perdeu o aspecto "endiabrado" para se tornar um "negrinho travesso". O resumo do livro está na ideia do encontro de Pedrinho que sal para caçar e encontrou o Saci, que lhe conta os segredos da floresta (para não gerar spoiler).

Na década de 20, isso não é novidade alguma para os leitores, Jean Gabriel Villin veio de Amiens da França para cá, a fim de ilustrar as obras da fábrica de louças. Na década de 30, J. U. Campos, um dos ilustradores de Lobato, aproxima os dois e Villin para a ilustrar os livros da Editora Brasiliense, de Lobato. Villin se apaixona pelo Saci, talvez por ambos fumarem cachimbos. Villin, assim como Lobato, eram contra os estrangeirismos e a favor da valorização das coisas do Brasil.


Um Saci Citadino

Com o "progresso", o Saci mudou do campo para a cidade. Existem inúmeros artistas plásticos que continuam a realizar obras inspiradas no saci popularizado por Lobato. Em Porto Ferreira foi criado por Luiz Roberto Jussiani, o Preto, a Fábrica de Sacis

(https://www.facebook.com/fabricadesacis), onde dentro de um processo de transformação de materiais reciclados em obra de arte, ele recria os sacis, mantendo viva a tradição popular brasileira.

Porque, então, comemorar o Haloween?


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