A Secretaria de Cultura de Porto Ferreira realizará nos dias 19 e 20 de setembro, no Anfiteatro Isaltino Casemiro, a partir das 19 horas, a I Semana de Artes Literárias Thales Castanho de Andrade.
O evento foi criado após aprovação de lei municipal de autoria do vereador e presidente da Câmara Municipal, Miguel Bragioni, e que foi sancionada pelo prefeito Rômulo Rippa no dia 30 de agosto.


Na manhã de quarta-feira (13/09), o vereador Miguel Bragioni esteve no Gabinete do prefeito Rômulo Rippa, quando recebeu das mãos do chefe do Poder Executivo uma cópia da lei sancionada.
A Semana tem por objetivo realizar atividades, eventos e exposições que promovam, estimulem e desenvolvam as artes literárias.
Para esta primeira edição, a Secretaria de Cultura está convidando escritores e poetas ferreirenses que tenham interesse em participar e expor suas obras. Basta entrar em contato na Casa da Cultura Elias dos Santos (antiga estação da Fepasa), em horário comercial, ou pelo telefone 3585-5700.
A Semana Thales Castanho de Andrade terá exposições e uma palestra por dia, que serão anunciadas em breve.
Thales Castanho de Andrade
Thales Castanho de Andrade é considerado o “pai” da literatura infanto-juvenil no Brasil. Sua obra mais importante foi o livro “Saudade”, cuja primeira edição é datada de 1919, escrito na residência cujo prédio que ainda permanece intacto no número 86 da rua João Procópio Sobrinho, no Centro de Porto Ferreira.
Foi lá que seu universo literário girou em torno do conhecimento simples do Brasil rural, do homem da terra, do caboclo e suas tradições. As aventuras do menino Mário, personagem do livro, nasceram a partir de um artigo publicado em 1911 em um jornalzinho escolar. Certa vez Thales Castanho de Andrade confidenciou em depoimento que escreveu “Saudade” em 40 manhãs. Aquela Porto Ferreira do início do século 20 contribuiu, e muito, para sua inspiração.
Exercendo o magistério no interior, o educador conheceu as carências do sistema de ensino, principalmente a falta de livros infantis. Publicou sua primeira obra em 1918, “A filha da floresta”, em que retrata sua preocupação com a devastação da natureza.
Thales de Andrade era filho de José Miguel de Andrade e Castorina Castanho de Andrade. O pai natural do município de São Pedro, Interior de São Paulo e a mãe de Capivari. Casou-se em 1912 com Maria Garcia de Toledo.
Diplomou-se professor normalista pela antiga Escola Complementar, atual Instituto de Educação Sud Mennucci, em Piracicaba. Nessa mesma escola ocupou os cargos de professor de História do Brasil, História Geral e outras disciplinas, bem como o de diretor.
Lecionou também em escolas da zona rural, na Escola de Comércio Cristóvão Colombo, no Colégio Piracicabano e no Grupo Escolar em Porto Ferreira, em seus primeiros anos de funcionamento (a partir de 1914), que hoje é denominada Emef Sud Mennucci, a mais tradicional instituição de ensino do município. Foi naquela época que produziu sua obra-prima.
Thales de Andrade também foi autor de um método de alfabetização, que, no México, permitiu a educação satisfatória, em pouco mais de dois anos, de um milhão e meio de analfabetos, na maioria, indígenas. Hoje é considerado o fundador do gênero infanto-juvenil no Brasil, título antes atribuído a Monteiro Lobato. Seu livro “A Filha da Floresta”, de 1919, é bem anterior ao livro “Reinações de Narizinho” (1922) do escritor de Taubaté.
Ao todo, em sua carreira de escritor, escreveu 47 livros, perfazendo, no total, uma tiragem de dois milhões de exemplares vendidos. “Saudade” foi, por longos anos, talvez meio século, o livro mais adotado para leituras nas escolas do Brasil. Não é por coincidência que edições da obra são ilustradas pelo franco-ferreirense Jean Gabriel Villin que desenhou a capa e as páginas do miolo sob a orientação direta do professor.
Em Porto Ferreira há uma rua no Jardim Porto Novo identificada com o seu nome. Nasceu em Piracicaba em 15 de agosto de 1890. Morreu em São Paulo em 1º de outubro de 1977.

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