O governo do presidente Jair Bolsonaro encerrou seu primeiro semestre com perdas e ganhos, como é natural em qualquer administração pública. Pesquisas mais recentes mostram que a popularidade do presidente e de seu governo vem caindo, não de forma abrupta, mas aos poucos e constantemente, o que é um sinal de alerta a todos. Coisa que também é natural em todo novo governo, que inicia enchendo a todos de expectativas, mas na hora do “vamos ver” o “buraco é mais em baixo”, como se diz na linguagem popular.

Ninguém pode negar que este é um governo diferente. Depois de 8 anos de PSDB, 13 anos e meio de PT e 1 ano e meio de MDB, partidos que demonstraram historicamente, olhando agora, não terem muita diferença ideológica ou de gestão, em 2019 assume o poder um presidente eleito mais pela rejeição aos antigos atores do que por suas promessas de plano de governo.
A grande maioria dos eleitores de Bolsonaro não votaram nele por causa da reforma da previdência, tributária ou política. Votaram, sim, contra a volta de PT, PSDB e quetais. Votaram contra a corrupção. Votaram contra a desordem. Votaram contra a falta de segurança. Esta foi a principal pauta da campanha bolsonarista.
Uma vez eleito, o governo mostrou-se confuso e dando cabeçadas na articulação política. Esta semana tivemos exemplos que nem o partido do próprio presidente, o PSL, fechou integralmente questão sobre a reforma da previdência com o governo. Isto é, não há consenso nem na cozinha de casa.
Outro ponto diferenciado do governo é que, enquanto reformas estruturais avançam no Congresso, mesmo aos trancos e barrancos, num ritmo mais lento que o esperado, por outro lado o presidente e seu entorno, principalmente os filhos 01, 02 e 03, foram generosos em criar polêmicas muitas vezes tidas como desnecessárias, que apenas desgastam a imagem. Precisaria estudar se isso realmente é algo feito de forma aleatória, da personalidade dos envolvidos, ou se tudo não é estratégia, ou seja, feito de caso pensado com o objetivo de desviar a opinião pública – e principalmente a oposição – das questões que realmente importam, enquanto o governo trabalharia com mais tranquilidade na surdina.
Apoiadores ou não de Bolsonaro, a verdade é que este foi um governo eleito legitimamente para dar novos rumos ao país. Muita coisa precisa ser consertada. Muito precisa ser mudado. Reformas da previdência, tributária e política são essenciais. Que os acertos se tornem maiores daqui para frente. Que os erros sirvam como aprendizado.

 

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