Recapitulando, dia 22 de novembro de 2002 eu estava com ingresso na mão para assistir a uma das bandas pela qual eu tinha uma enorme vontade de ver ao vivo: Rush.
O power trio de super músicos viria ao Brasil pela primeira vez. Já tínhamos formado a van. Muitos amigos estariam juntos na viagem, como os ex-Resina André Ruiz (e nosso “empresário” seu Walter), Júnior Suzigan, Cláudio Lepri. Também confirmou o Jorge Chateaubriand, um dos primeiros bateristas com o qual toquei na vida. E ainda o Rodrigo Gentil, que muitas vezes foi “roadie” do Resina, e na época se iniciava na carreira de advogado.

Estava tudo certinho para o grande show. Ou quase. Como falei na última coluna, minha então noiva Aleandra se desentendeu comigo por causa do show e estávamos num climão. Mas eu havia decidido ir de qualquer jeito e depois aguentaria as consequências.
Chegou na sexta-feira, dia do show, trabalhei na parte da manhã e já tinha deixado a tarde livre para a viagem e correr atrás de alguma coisa de última hora. Foi então que os deuses do rock olharam para este ser careca. O Rodrigo Gentil me liga e diz que não ia mais ao show porque... tinha brigado com a namorada, que não queria que ele fosse. Como as mulheres são, em certos momentos, previsíveis...
Bem, ele então me pergunta se eu conhecia alguém interessado em adquirir o ingresso dele de última hora. “Claro que conheço, está falando com ele!” Foi aquela decisão de momento. Aquela decisão acertada de momento. Pensei... vou comprar o ingresso pra Aleandra e quero ver ela não ir agora!
Passei na casa do Rodrigo, peguei o ingresso, e fui ver minha noiva. Acho que ela estranhou eu passar por lá logo depois do almoço, sem avisar. Quando entrei, fui logo dizendo: “Coloca um tênis e uma roupa confortáveis, porque você vai comigo!” “Como é que é?” “Sim, você vai comigo, o Rodrigo desistiu e me deu o ingresso dele” Ela ficou com aquela cara de quem estava numa sinuca de bico. Porque não tinha mais argumentos para dizer que eu não iria, já que estava convidando-a para ir junto.
Enfim, cedeu (ufa!). Acho que até fomos comprar um tênis para ela. Ajeitamos tudo e no meio da tarde pegamos a van do Eduardinho Fadel. Era uma van bem família, sem bagunça, uma cervejinha de leve, muito papo. E ainda paramos em Leme para pegar um outro povo.
Chegamos ao Morumbi e o tempo não estava lá muito bom. Vento, chuva fina, o que nos obrigou a comprar capas de plástico. O público também não era o mesmo de um show do U2, por exemplo, que eu tinha assistido ali mesmo anos antes. De outra forma, não lotou o estádio, o que nos dava mais liberdade para andar pelo gramado (ficamos na pista). E quando digo que o público não era o mesmo não me refiro apenas a quantidade. Percebia-se a maioria esmagadora de homens, fãs de rock, com camisetas da banda. Quem gosta de Rush, geralmente, gosta muito.
Até o show começar ainda encontramos mais alguns amigos perdidos ali, como o Lê Galvão. O André também cruzou alguns bateristas que conhecia sei lá de onde.
Então as luzes se apagam e tudo pronto para começar. E a primeira música é aquela paulada!!!

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