Ao longo de todos esses anos em que venho mal-traçando essas linhas neste espaço, tenho mostrado, no mais das vezes, meu lado roqueiro. Mas eu sou também um grande fã de MPB e, mais tardiamente, do samba.

Minha admiração pelo ritmo que é considerado como típico do Brasil começou quando passei a prestar atenção às letras e conheci as biografias de alguns dos maiores compositores do gênero. Como o Cartola, por exemplo: durante o dia trabalhava como pedreiro; à noite, fazia músicas sublimes, letras de uma correção e qualidade de poesia que encontram poucos que se igualem. E tantos outros: Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão… E, pairando entre todos, como uma fada-madrinha, Beth Carvalho.
Mesmo em meus momentos mais roqueiros nunca deixei de gostar dela, com sua voz marcante e potente, sorriso enorme, interpretações inconfundíveis e um repertório impecável; ela resgatava e valorizava os grandes compositores, e gravava versões definitivas das melhores canções do samba, pagode, partido alto e MPB.
Foi a cantora brasileira a chegar mais longe com sua arte, ao ser tocada em Marte! Contei essa história tantas vezes para meus amigos e meus filhos, que não tenho vergonha de repetir mais uma vez: em 1997, uma engenheira brasileira da NASA programou a música ‘Coisinha do Pai’, de Jorge Aragão, na gravação de Beth Carvalho, para ser o ‘despertador’ do robô da agência que estava em Marte.
Filha de um advogado perseguido pela ditadura (aquela que nunca houve), ela sempre foi uma ativista de esquerda, perfilando e defendendo, inclusive, com nossas lideranças políticas condenadas por roubalheiras diversas. Mas ninguém é perfeito.
Até a semana que vem.
Marcelo Mesquita
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