A Redação do Jornal do Porto foi procurada por uma moradora do Centro da cidade que reclama de atraso na liberação do dinheiro de financiamento da casa própria pelo programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, cujo agente financeiro é a Caixa Econômica Federal.

Segundo a moradora, seu financiamento já está aprovado há mais de meses e a agência local diz a ela que não há dinheiro a liberar. A moradora sustenta que já investiu todos os seus recursos financeiros, inclusive o FGTS, para cumprir as exigências do banco, mas ainda não conseguiu a liberação.

“Pagamos perito, arquiteto, planta, usamos o FGTS para o financiamento e toda vez que vou ao banco dizem que não há dinheiro”, relata. “Agora quem está sem dinheiro sou eu, porque investi tudo nesse projeto”, continuou. Ela, que está morando com a mãe, diz que fez um financiamento de R$ 140 mil para construir uma casa e pagar o restante do terreno no Jardim Santa Luzia. “O que era sonho virou pesadelo”, concluiu.

Conforme apurado pela reportagem do Jornal do Porto, existem muitos outros moradores da cidade enfrentando a mesma situação. São financiamentos aprovados cujo dinheiro não está sendo liberado. As obras são em bairros mais novos da cidade, como o Santa Luzia, Santo Afonso, Paulo Calisto, entre outros.

Outro lado – Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Caixa encaminhou a nota que acompanha esta matéria (box).

Reportagens veiculadas na imprensa em geral comprovam que está ocorrendo atrasos na liberação dos recursos. O Banco Central registrou 248 queixas sobre a Caixa no primeiro semestre do ano relativas a demora na liberação do financiamento, alta de 9% ante os seis meses anteriores e de 2,5% sobre igual período de 2016. “Hoje, um financiamento na Caixa pode levar até 90 dias. Em outros bancos, a média é 30”, diz Fernando Freitas Carvalho, diretor da assessoria Crednow, em reportagem publicada na Folha de S. Paulo esta semana.

Nos últimos meses, a Caixa anunciou restrições ao crédito, como a redução do limite financiado para imóveis usados de até 70% para 50%.

Para José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP (conselho dos corretores de SP), o governo “subestimou a recuperação da economia” ao planejar os repasses. “Um diretor do banco me disse que é tudo questão de orçamento. Em janeiro, deve normalizar. Até dezembro, é uma incógnita. Poderia haver suplementação, mas acho difícil porque a captação da poupança está baixa”, diz Viana.

João da Rocha Lima Jr., do Núcleo de Real Estate da Poli-USP, explica que, com perdas na poupança, a Caixa toma recursos a taxas de mercado, para honrar contratos, mas empresta a taxas do Sistema Financeiro da Habitação, mais baratas. “O banco perde dinheiro, e acaba colocando novos contratos em espera”.

NOTA CAIXA - CRÉDITO IMOBILIÁRIO CAIXA 

A Caixa Econômica Federal esclarece que a contratação do crédito imobiliário neste ano está cerca de 20% superior em relação ao mesmo período do ano passado. A CAIXA já emprestou mais de R$ 62 bilhões até final de agosto em todas suas modalidades de crédito.

Considerando o ritmo de contratação, o banco adotou a estratégia de execução mensal do orçamento para todas linhas de crédito imobiliário com objetivo de cumprir o orçamento anual disponível até dezembro.

Quanto às modalidades de créditos que possuem orçamento segregado por UF, a CAIXA esclarece que em alguns estados o orçamento esgotou, mas poderá ser retomado no mês de novembro.

 19/10/2017 - Assessoria de Imprensa da CAIXA

 

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