Os Rolling Stones em 1995 foram para mim um divisor de águas em matéria de shows de artistas internacionais. Porque a partir de então, praticamente em todos os anos subsequentes (até me casar, obviamente), eu assistiria a um grande nome de fora, muitos ídolos que cultivava desde a mais tenra idade.

Em 1996, por exemplo, fui novamente ao Pacaembu, desta vez para a última edição do Hollywood Rock, festival tão bom ou melhor até que o Rock in Rio, pois sempre estava mais antenado com o que bombava no cenário.
Acredito que tenha sido o último devido às proibições posteriores sobre propaganda de cigarros. Lembram do Free Jazz? Pois é, outro grande festival que trouxe o que tinha de melhor no mundo no estilo. Pena que nunca fui.
Tirando o de 1975, que foi mais um experimento e um ponto fora da curva, o Hollywood Rock vinha de eventos em 1988, 90, 92, 93, 94 e 95. Sim, a turnê dos Stones fez parte do festival de 95, embora pouca gente se lembre (eu, por exemplo, só lembrei ao fazer umas pesquisas).
No de 1996 o esquema foi um pouco parecido com o do ano anterior. Novamente em janeiro, fomos numa barca aqui de Porto Ferreira, num ônibus fretado, que se não me engano também pegou um povo em Pirassununga. A noite teria Raimundos, então uma novidade, Urge Overkill, The Black Crowes e... Page & Plant. Sim, outros deuses do rock, do Led Zeppelin, para muitos a maior banda que já existiu.
Desta vez, não fiquei no gramado, mas num dos últimos degraus da arquibancada do fundo. Se nos Stones quase me matei no meio da galera, no aperto e na sede, agora preferi a contemplação, com um pouco mais de sossego e conforto.
Ainda durante a tarde, os Raimundos entraram com o som furioso que faziam e levantou a molecada que estava na pista. Muita energia com aquele hardcore misturado com música nordestina. Lembro que fiz uma previsão: esses caras vão marcar uma geração.
O Urge Overkill era um resquício de grunge que não empolgou muito. Acho que eu só conhecia aquela música da trilha do “Pulp Fiction”, e que nem era grunge. Então passamos ao Black Crowes, que eu gostava há um bom tempo, desde quando frequentava a loja The House, do amigo-irmão Virgílio Bezerra. Muitos falam que a banda nada mais é que uma versão 90 do The Faces, banda que tinha Rod Stewart e Ronnie Wood. Não importa. É um rock básico estilo setentão dos bão, e isto basta.
O show deles não empolgou tanto quanto os Raimundos, veja só. Mas foi melhor que o Urge, sem dúvida. E então a noite finaliza com Robert Plant, Jimmy Page e uma banda de world music que deu um tom meio oriental, meio exótico, ao som do Led. E, nesta pegada, “Kashmir” foi sem dúvida o ponto alto da noite.
Os caras não gravavam ou tocavam juntos desde o fim da banda, em 1980, com exceção do Live Aid de 85. Então não poderia perder, pois vai que esta fosse a última chance? Plant mostrou naquela noite porque era uma das maiores vozes que já surgiu no rock, senão a maior. Não alcançava mais os agudos como nos 70, mas aquele timbre que 9 entre 10 vocalistas tentam imitar estava lá. E Plant mostrou toda sua competência e improvisos (ele nunca repete um solo), para deixar qualquer amante da guitarra satisfeito.
No ano seguinte, voltaria a São Paulo para ver quatro caras que marcaram minha juventude.

 

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