Eu e mais um bando de índios, devidamente identificados com um “Porto Ferreira” nas costas, já estávamos naquele 28 de janeiro de 1995 há umas boas horas em pé no gramado coberto por tablados do Pacaembu, aguardando o início dos shows da noite, cuja principal atração eram eles, a banda síntese do rock’n’roll, os feios, sujos e malvados dos Rolling Stones.

Aliás, uma passagem engraçada antes de prosseguir. Quando anunciaram os shows, os preços eram um pouco salgados. Não lembro quanto, mas vamos supor que o ingresso custasse R$ 300. O saudoso seu Horácio Giacon, pai dos queridos Eliana, Heitor e Ronaldo, quando soube que a gente ia ao evento, não resistiu: “Mas nem se me pagassem mil reais pra ver esses quatro véio cabeludo aqui no Vardeci eu não ia!”. O “Vardeci”, no caso, era o glorioso Cir Acrani, que tinha o mercado 1041 na esquina da Francisco Prado com a Luiz Gama, vizinho do seu Horácio.
Bem, voltando ao show. Teve sol, teve chuva, depois teve sol de novo (a noite anterior teve dilúvio, então demos sorte). A primeira banda a se apresentar foi o Barão Vermelho, uma das queridas deste datilógrafo, ainda mais naquela época. Já tinha assistido a três shows deles antes (Zoom e Cava do Bosque, em Ribeirão, e outro em Rio Claro). Sempre muito bons. E nesse dia eles repetiram a competência e fizeram a galera vibrar.
Depois, entrou ela, a Rainha, Santa Rita de Sampa, Rita Lee. Acompanhada do não menos talentoso marido Roberto de Carvalho (um dos caras mais injustiçados da música nacional, acho que já falei isso aqui). E a banda ainda tinha Lee Marcucci (Tutti-Frutti, Rádio Táxi) no baixo e Paulo Zinner (Golpe de Estado) na bateria, entre outros. Foi um grande show também. Teve até Miss Brasil 2000 nua desfilando (a modelo Valéria Mendonça), Mick Jagger assistindo a tudo embaixo do palco e os melhores solos de guitarra da noite pelas mãos de Roberto. Sim, melhores que do Keith Richards e Ronnie Wood.
Antes da atração principal, mais um show, do Spin Doctors (ou “Doutor Spindor”, como dizia o Caju). Com duas músicas tocando nas rádios, fizeram um showzinho chinfrin. O vocalista dava cambalhotas, a banda tocava bem, mas ninguém aguentava mais esperar. Todos queriam ver os véio cabeludo.
O revolucionário palco criado para a turnê do disco “Voodoo Lounge” tinha dimensões gigantescas, com telão enorme chamado Jumbotron e jogo de luzes. Hoje, pode ser até normal. Mas, na época, nunca tinha visto um telão daquele tamanho. Aliás, ninguém tinha. Os Stones foram os primeiros a usá-lo.
Quando os caras começam a dar os primeiros acordes, a serpente metálica de 32 metros de altura que se erguia da lateral do palco sobre o público cuspiu fogo. O calor das chamas arrebatou a todos e, enfim, os Stones entram com tudo.
Foi um show longo, passando por todas as fases, e os caras talvez estivessem em sua melhor forma na carreira. Foi uma espera que valeu a pena, resumindo.
Com o fim do show, saímos, pegamos o nosso ônibus maluco e voltamos, chegando por aqui praticamente ao amanhecer. “Morto”, um bagaço, com câimbras... feliz!

 

0
0
0
s2sdefault