Última noite da barca ferreirense no Rock in Rio II (1991), já tínhamos assistido aos Titãs e Faith No More. Ainda faltavam Billy Idol e Guns’n’Roses.
Na verdade, o Billy Idol entrou de estepe no festival. A atração original era o Robert Plant, um dos maiores deuses do rock. Depois que compramos os ingressos é que veio a notícia da substituição. É mole?

Tudo bem, como havíamos sapeado na primeira noite, descobrimos a entrada da sala VIP, onde ficavam artistas e gente famosa (o termo “celebridade” ainda não havia sido inventado). Eram famosos mesmo, e não como hoje, que qualquer ex-BBB se diz celebridade e 2 anos depois que termina o programa ninguém mais lembra quem é.
Com a cabeça cheia de cuba libre e o nível de vergonha quase zerado, fomos até a tal sala VIP com nossa pequena câmera fotográfica. No caminho, pegamos uns crachás que estavam dando numa lojinha, que ao colocar no pescoço parecia que a gente tinha autorização para alguma coisa.
A Kuka Ramos estava trabalhando lá na sala VIP, mas o segurança não deixou a gente entrar ou fazer algum contato. O negócio foi ficar ali mesmo na entrada, cozinhando o ambiente e esperando os famosos. Não havia mais ninguém, só a gente. Então foi fácil.
Em cerca de uma hora e meia tiramos fotos com muitos músicos – quase todos do Barão, do Paralamas, Paulo Ricardo, Arnaldo Brandão – atores e atrizes. Falávamos na abordagem que éramos de um jornal de Ribeirão Preto (o termo “Califórnia Brasileira” tinha acabado de entrar na moda, então tudo referente à cidade estava em alta).
Num certo momento, apareceu um moleque da minha idade mais ou menos, muito cabeludo, roupa de metaleiro. Eu pensei: deve ser aquele cara do Sepultura, um daqueles irmãos que têm nomes esquisitos. Como é mesmo? Max, Igor, tem um com nome de mulher... e arrisquei: “Ô Max, tira uma foto com a gente!” Bingo, era o próprio, um imberbe Max Cavalera, que viria a ser nos anos seguintes líder da banda brasileira que mais sucesso já fez mundo afora.
E ele foi muito gente boa. Ficou ali batendo papo, querendo levar uma loirinha embora, e a menina querendo ver o show do Billy Idol, para desespero dele.
Quando voltávamos ao interior do Maraca, cruzamos Lobão e seu braço quebrado, fruto de uma queda de moto. O Marcão Mrozinsk não percebeu e puxou o cara bem pelo braço machucado. O Lobão deu um berro e quase uma muqueta no meu amigo.
Terminado o show do Supla, digo, Idol, todo mundo se espremeu no estádio para ver Axl Rose, Slash e companhia bela. 110 mil pessoas, segundo a organização. Não conseguimos nem entrar na pista e ficamos da antiga geral do Maraca. Os caras entram e fazem um show até empolgante. Mas o Axl parecia a Moby Dick, uma baleia branca, rouca e que não atingia os agudos. Slash e seus solos intermináveis também me encheram rápido (ainda mais depois do que vi de Prince). Gostei mesmo foi do Mat Sorum, o batera que já tinha passagem pelo The Cult. Tocava muito.
Terminado o show, foi a mesma história da sexta-feira. Esperamos mais de duas horas até todo mundo ter ido embora para pegar um táxi que topasse levar cinco marmanjos bem avantajados.
Foram apenas 3 dias, mas é daquelas viagens em que todos os detalhes ficam gravados na memória (claro que alguns eu não pude contar neste horário).

Por Cléber Fabbri, o Tião, jornalista e funcionário público.

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