Recapitulando, eu, Fininho, João Pinto, Marcão Mrozinsk e seu primo Toledinho programamos tudo para aportar na Cidade Maravilhosa para, enfim, assistir a shows internacionais. Rock in Rio II, aquele que ficou conhecido como o RiR do Maracanã.

Esquecemos o Gerson Caju, é verdade, mas já expliquei na coluna passada. Assim, numa quinta-feira à noite, 17 de janeiro de 1991, com um Guia Quatro Rodas (nosso GPS) no porta-luvas do Santana da minha mãe, partimos.
A ideia era viajar durante a madrugada e chegar ao Itajubá Hotel (achamos nas listas amarelas), ali no Centrão do Rio de Janeiro, logo com o dia clareando. A gente só não contava com a tempestade que nos acompanhou por toda Via Dutra. Praticamente os cinco “dirigindo” o carro. Uma prova de fogo para quem ainda tinha poucos anos de CNH. Esperava um ônibus passar e ia seguindo as luzes traseiras. Se ele parava, esperava outro e seguia. Cometa, Normandy, Itapemirim, vimos de tudo.
Resultado: cheguei moído na Avenida Brasil. Ok, mas agora tudo era festa. Eu tinha um pouco de noção sobre como era o Rio, geograficamente falando. Já tinha passado por lá quando criança três vezes. Meu tio Jura morou em Niterói. E meu pai, numa dessas viagens, deu a melhor orientação: de um lado é o mar, do outro é o morro, pra baixo é zona sul, pra cima é zona norte.
Bem, mas o hotel era no Centro. Fomos seguindo placas. Não tínhamos ideia de nada. A chuva da madrugada alagou tudo – vocês viram o que aconteceu esta semana, né? – e quando a gente percebeu que estava rodando sem saber pra onde ir, vendo só um monte de casarões velhos e feios, surge uma luz. Ou melhor, uns postes enormes, cheios de holofotes. Peraí, isso é familiar. Sim, estávamos embaixo da praça da Apoteose, no Sambódromo.
Perguntamos a um carioca cordial (desculpe o pleonasmo) como íamos para o Centro. “Merrrrmão, vocêishhhh pegam ali pro Aterro do Flamengo”. Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer.
Achamos a avenida Rio Branco, a “Paulista” deles, e seguimos rumo ao mar. Mais um pouco, o Aterro e... bingo! Só que o hotel ficava num quadrilátero cujas ruas tinham se tornado calçadões. Muitos prédios lindos, alguns históricos. Mas o ambiente nas redondezas era meio barra pesada. Tudo bem, deixamos o carro num canto e fomos a pé, com as malas. Ou melhor, valises, como dizia minha mãe.
Na recepção do hotel, alguns tipos meios esquisitos hospedados ali. Sem drama. Daqui a pouco, dois homens de mãos dadas. Ok, não estamos em Porto Ferreira. Tínhamos reservado dois apartamentos. O que eu fiquei era enorme, tinha sala, quarto e banheiro.
E onde deixo o carro, perguntei ao ascensorista (se você não sabe o que significa esta palavra, dá uma googlada ou pergunte ao seu avô)? “Merrrrmão, tem que levar no edifício garagem”. Deve ser aqui do lado, né? Nãããããoooo... era um prédio cerca de dois quilômetros dali, com trocentos andares. Bem, a gente ia ao show de metrô mesmo. Fomos, deixamos o Santanão, e voltamos apreciando a linda paisagem do Centrão carioca.
Enfim instalados, fomos ao restaurante do hotel tomar o café da manhã. Entramos e ocupamos uma mesa. A paisagem era, digamos, um tanto exótica. Havia homens homossexuais de todas as cores e nacionalidades. Mas a grande maioria falava espanhol. A gente começou a rir... de nervoso. Devia ser alguma convenção dos gays argentinos amantes de rock, sei lá. Ok, ok, ok, a gente releva. Deve ter mulher em algum lugar desta cidade.
Voltamos para nossos quartos e dormimos horas para recarregar as baterias. Afinal, Joe Cocker e Prince, entre outros, nos aguardavam!

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