A Cerâmica Porto Ferreira S.A. demitiu cerca de 80 funcionários nas últimas semanas e, conforme apurou a reportagem do Jornal do Porto, o principal motivo é o preço do gás natural, utilizado como fonte de energia da empresa, que teve um grande aumento de preço.

Em dezembro o JP já havia trazido reportagem sobre o problema do aumento do gás natural comercializado pela Gás Brasiliano Distribuidora. Na ocasião, a Cerâmica emitiu uma carta, assinada pelo seu gerente geral, Nilton Geraldo Arnoni, às autoridades ligadas aos setores do consumo de gás natural, assim como ao prefeito Rômulo Rippa.
Na carta, o gerente manifestava total indignação contra um ato inesperado, que comprometia frontalmente o equilíbrio financeiro e comercial de seus produtos no mercado nacional e internacional, que causava uma situação de extrema preocupação não somente para a direção da empresa, mas sim, para o município e cidades da região em termos de arrecadação e de geração de empregos.
A reportagem do Jornal do Porto apurou que Arnoni se reuniu no final da semana passada com o prefeito Rômulo Rippa. Este, ao receber novas informações sobre a situação da empresa, imediatamente entrou em contato com o secretário licenciado da Casa Civil do governo paulista, Gilberto Kassab, para que intercedesse junto ao governador João Dória, objetivando uma providência sobre a alta do preço do gás.
O preço do m³ de gás que a Cerâmica Porto Ferreira paga para sua fornecedora Gás Brasiliano é superior ao preço que seus concorrentes pagam para as suas respectivas fornecedoras (quando estes são abastecidos por outras companhias de gás), principalmente para a SCGÁS e COMGÁS - região de Santa Gertrudes, onde, não por acaso, desenvolveu-se um importante polo ceramista, de onde provêm grande parte dos produtos concorrentes e que está localizada a apenas 90 km de distância de Porto Ferreira.
A CPF desembolsa por ano cerca de R$ 18 milhões apenas com o gás natural. Em decorrência do monopólio da concessionária Gás Brasiliano, a empresa ferreirense é impedida de contratar com outros agentes do setor, sem possibilidade concorrencial e mesmo que supostamente exista mercado livre, não há de fato oferta no mercado.
O gás comercializado pela Gás Brasiliano é boliviano e geograficamente a rota de distribuição passa primeiro por esta região, para depois seguir para a região sul do país, onde o preço praticado é muito menor do que o praticado no Estado de São Paulo.
Houve um reajuste de 21,37% no final do ano, sendo que no mês de agosto já havia outro reajuste de 9,7%, significando um reajuste acumulado de 39% em 2018.

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