A década de 1980 foi marcada na música pelo surgimento de um rock nacional de massas. Roqueiro brasileiro deixou de ter “cara de bandido”. As canções inundaram as rádios, inclusive as AMs, e a TV. Cabelos e roupas eram copiados. Ah, a “new wave”... Os grupos vendiam milhares de álbuns. Alguns chegaram à casa dos milhões, como o disco ao vivo do RPM. Aliás, este grupo virou uma febre e as meninas da época tiveram a sua beatlemania com Paulo Ricardo e cia.

Eu era um adolescente músico, apaixonado por música, e que pegou todo o processo. Dizem que a onda do novo rock começou com a Blitz e o seu “Você Não Soube Me Amar”, em 82. Isso abriu caminho para outros grupos, de vários pontos do país. Até que veio o grande evento catalisador de tudo: o Rock in Rio, em janeiro de 85. Bandas novas, alguns medalhões da MPB e nomes do primeiro time lá de fora participaram. Foi “o” acontecimento.
A banda nacional que melhor se saiu no RiR foram os Paralamas do Sucesso. Eles haviam acabado de lançar o segundo disco, “O Passo do Lui”. Quase todas as músicas viraram sucesso na rádio. Eu estava começando a tocar baixo no Fruto da Imaginação e tentava tirar todas as notas das músicas dos Paralamas.
Alguns meses depois da consagração no Rock in Rio, o trio Herbert, Bi e Barone veio fazer um show em Araras. Até então, como relatei nas duas colunas anteriores, eu já tinha assistido a shows da Rita Lee e Rádio Táxi. Conversei com a turma da escola e decidimos ir até Araras ver os Paralamas, com a devida permissão de nossos pais.
Como fomos? Bem, o Jorge Chateaubriand, com 16 anos, tinha acabado de ganhar um Fuscão. Fomos eu, ele, seu irmão Rodrigo – eu fazia um som com ambos na época –, o Laércio dos Santos e o Elton Guiguer. Um outro amigo, o Eduardo Borri, foi com seu pai e irmã e nos encontrou lá.
Na porta do ginásio umas meninas lindas distribuíam um macinho com quatro cigarros California, patrocinador do evento. Cada um de nós ganhou o seu. Eu tinha 14 anos! Deu para perceber que eram outros tempos mesmo. Viagem sem carta de motorista, cigarro para menores...
Chegamos bem cedo. O que deu para me posicionar na chamada “fila do gargarejo”, na pista, bem em frente ao Bi Ribeiro e seus lindos contrabaixos: um Yamaha, um Hofner e um Fender Jazz. O som estava sensacional. O Barone e sua enorme Tama configurada igual à batera do Stewart Copeland, do Police. E o Herbert alternava duas Fernder Stratocaster, uma azul e uma vinho, com uma Ibanez preta.
Tocaram todos os sucessos dos dois primeiros discos e no bis ainda mandaram um “Vamos Fugir”, do Gil. O ginásio lotado cantou e pulou o tempo todo. Extasiados, voltamos no Fuscão felizes da vida, ouvindo... Paralamas!

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