O Gasoduto Bolívia-Brasil, também conhecido como Gasbol, é uma via de transporte de gás natural entre a Bolívia e o Brasil com cerca de 3.150 quilômetros de extensão, sendo 557 em território boliviano (trecho administrado pela GTB) e 2.593 em território brasileiro (trecho administrado pela TBG).

A construção, funcionamento e comércio do gás é regido pelo acordo Tratado de La Paz, de 1997, iniciando sua operação em 1999.
O gasoduto tem seu início na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra e seu fim na cidade gaúcha de Canoas, atravessando também os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, passando por cerca de quatro mil propriedades em 135 municípios.
Em São Paulo, o traçado acompanha o rio Tietê, chegando a Campinas, onde se concentram as indústrias que, em 1999, foram as empresas pioneiras na utilização do gás natural boliviano. O trajeto é estratégico, pois passa por uma área responsável por 71% do consumo energético brasileiro, 82% da produção industrial do país e 75% do PIB, isto, não em números absolutos.
Quando citamos que o gás natural é um produto caro, não vai aqui nenhum exagero, pois ele representa cerca de 30% da produção industrial. Primeiramente, temos que destacar que estamos falando de uma energia limpa. Imaginamos desde a extração do produto, passando por tantos investimentos para que ele chegue ao seu destino final com segurança, qualidade e compromisso do fornecimento. Tais custos estão embutidos, é claro, na planilha custos.
As empresas consumidoras cientes do custo/benefício, por sua vez, também apostaram alto neste novo tipo de combustível que, na verdade, viria revolucionar a produção brasileira.
Entretanto, a indignação do setor de consumidores do gás natural em Porto Ferreira e nossa região é com a empresa concessionária Gás Brasiliano Distribuidora S/A., responsável pela canalização e fornecimento. É uma empresa que tem atualmente a Petrobrás como acionista controladora, que aplicou em agosto último 9,7% de aumento e, novamente agora, em dezembro, mais 21,37%, significando um reajuste absurdo acumulado de 39% neste ano.
O que torna a situação mais absurda ainda é que a distribuição do gás natural no Brasil parece estar numa terra de ninguém, sem lei. Não existe um Marco Regulatório de Preços que proteja de fato a competitividade industrial, visto que outras companhias distribuidoras do mesmo gás no Brasil, como a SCGÁS (atua na região Sul do país) e COMGÁS, que atua na região de Santa Gertrudes – a apenas 90 km de nossa cidade, que é também um grande polo ceramista – praticam significativamente preços mais baixos do que nesta nossa região servida pela Gás Brasiliano. Isto causa um impacto enorme na economia regional, num flagrante desrespeito aos diretos e ao equilíbrio da competição industrial saudável e honesta.
Apenas a título de referência, a persistir o reajuste de 21,37% a Cerâmica Porto Ferreira S.A., nossa tradicional indústria que emprega 500 funcionários diretos e mais de 2 mil indiretos, terá que desembolsar cerca de R$ 800 mil mensais e em torno de R$ 18 milhões a mais por ano.
Em defesa daqueles que também acreditaram na seriedade do empreendimento sobre o abastecimento do gás natural, queremos crer que o abusivo e desleal aumento praticado em nossa região não tenha qualquer ligação ou necessidade de arrecadação imprópria para a recuperação financeira da Petrobrás, pois que nossas indústrias consumidoras da Gás Brasiliano não sejam penalizados como culpadas pelo desastre financeiro que abateu sobre a estatal brasileira, promovido apenas pela sua má gestão e pela corrupção, que a envolveu nos últimos anos.

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