Acabou mais uma eleição
Mais uma vez o eleitor brasileiro mostrou seu elevado espírito público e exerceu seu mais sagrado direito obrigatório: o de eleger, em sufrágio universal, direto e secreto, seus lídimos representantes. É por isso que, nas democracias, salvo alguns desvios, o governo e o congresso são um espelho da população (não faz muito bem para nossa autoestima de nação pensar nisso, né?). Mas de uma coisa não podemos reclamar a respeito destas eleições: de tédio.

Acho que nunca vi eleições tão emocionantes, cheia de idas e vindas, troca de acusações e de posições nas pesquisas, impugnações, reviravoltas; uma verdadeira novela eleitoral.
Eu adoro eleições, e costumo escrever vários textos sobre o tema antes da disputa; ainda bem que, desta vez, fiquei quietinho. Os resultados desta eleição poderiam pôr em risco minha proverbial capacidade de futurologia, com tantas surpresas. Grandes caciques políticos foram defenestrados depois de décadas de mandatos, sobrenomes famosos foram barrados; esposas, filhos e netos ficaram de fora. Foi a hora e a vez dos novatos. Vamos torcer para que essa renovação atenda às expectativas do povo, que demonstrou, com seus votos, a insatisfação com a atual situação.
Em minha opinião, os maiores perdedores dessa eleição foram, pela ordem: os institutos de pesquisa, uma boa parte da imprensa, o PSDB (salvou-se em São Paulo, mas vai ter que mudar a caciquaiada), o PT (que já poderia mudar o nome para PNE - Partido do Nordeste), o debate de ideias e programas, as regras de etiqueta e boa educação, o Lula e o Haddad. Não coloquei a verdade entre os grandes perdedores porque há tempos que ela nem participa das campanhas eleitorais no Brasil.
Do outro lado, os grandes vencedores: Bolsodoria e os emergentes que derrotaram velhos coronéis da política, o whatsapp e as outras redes sociais, as fake news e, espero do fundo do coração, o Brasil e os brasileiros (vamos torcer).
Porém, mesmo com esses ares de renovação, com todos esses novos eleitos que chegam cheios de boa-vontade e novas ideias (espero que seja assim), com toda essa disposição para a mudança, devo confessar que vou sentir falta de algumas personagens que poderiam protagonizar situações interessantes.
Imaginem a cena: uma sessão do senado, a senadora Dilma Rousseff, do PT de Minas Gerais, está na tribuna, discursando sobre o potencial energético do estoque brasileiro de vento; é aparteada pelo senador Eduardo Suplicy, do PT de São Paulo, que cantarola: “the answer, my friend, is blowing in the wind”. Impagável!
Até a semana que vem.
Marcelo Mesquita - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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