Mais um episódio que lembrei assim que abri a tela branca para datilografar. Com o Casa Rock, foi a única vez que toquei numa festa de casamento. Digo, como músico contratado mesmo, não essas pingaiadas de fim de festa em que o palco vira um grande karaokê. Foi no casamento da querida Bia Zuzzi, na sede do Rotary. Um astral muito bom também, ainda com o Biju na bateria.

Bem, semana passada falei de alguns equipamentos que adquiri durante o período do Casa Rock e na retrasada falei da entrada do André Ruiz na batera. A nova formação deu uma consistência fantástica ao som da banda. Continuamos a tocar por aí e coisa e tal.
Eu havia pensado em dar o título de “O lado negro da força” a esta coluna. Eu explico. Nessa mesma época, meu grande amigo Cilder, de Descalvado, e com quem havia tocado no Resina, entrou de sócio e depois ficou praticamente como único dono do Juliet Fly, o bar que era o antigo Atalho e Sexta Bar. Às sextas-feiras o local trazia bandas de fora muito boas, geralmente de rock e blues, de cidades mais distantes. E o Casa Rock também dava suas palhinhas às vezes. Tornou-se um local fantástico para tocar e para quem gostava de um bom som (ô, saudade!).
O Cilder tinha um equipamento próprio para voz muito bom, que ficava no bar. “Tião, o que você faz de quinta-feira à noite?” “Ah, tem semana que vou rodar o jornal em São Carlos, mas volto cedo, e noutras não tenho nada”. “Pô, então vamos fazer um som lá no bar, tá tudo montado...”, convidou o meu velho amigo.
Ora, por que não? Não tinha compromisso mesmo. E, para falar a verdade, eu estava louco para pegar o Tobias e tocar um som mais black-pop-dançante. Nisso, o Cilder era um craque. Estava com dois violões Gibson, um de nylon e outro de aço.
“Bem, e quem mais vai tocar com a gente?”, perguntei. “Quem aparecer”, respondeu. Taí, gostei. Sem ensaio, só curtição. E foi assim que aos poucos passei a tocar com ele e muitos amigos dele, cuja maioria eu nem conhecia ainda.
As músicas eram uma delícia de tocar no baixo. Não que o rock fosse ruim. Longe disso. Mas eu queria também surfar numa outra pegada. Então, dá-lhe Ed Motta, Gil, Djavan, Tim Maia, James Brown, Stevie Wonder, Cidade Negra, Earth, Wind & Fire e muitas outras coisas.
Parece que a minha empolgação com essa não-banda, que começou sem compromisso nenhum, provocou um certo ciúmes no Ricardão. Por sua vez, ele começou a compor mais e convidou o Wagner Siqueira, excelente baixista, para acompanhá-lo numas músicas que ele estava querendo inscrever no festival do Clube de Campo. Os dois passaram a andar cada vez mais juntos.
Não sei bem em que momento eu comecei a ficar um pouco de saco cheio em ter de ensaiar toda semana com o Casa Rock. Coloque na conta o fato de o Ricardo ser um tanto intransigente naquilo que a gente tocava. Se ele não gostasse, esquece. Um Rush, por exemplo, que eu e o André amávamos? Deixa pra lá. Mas nada disso era um grande problema.
No começo, claro. Mas chegou num ponto, no início de 2001, que eu estava muito mais encantado com o espírito livre de tocar com o Cilder – a banda com ele passaria a se chamar Vide Bula –, do que com o Casa Rock.
Junte-se a isso o fato de que, profissionalmente, com 30 anos de idade, estava na hora de buscar uma reciclagem. Bateu uma certa crise existencial. Fui atrás de uma pós-graduação e me inscrevi num curso da Unaerp, onde havia me formado em Jornalismo. Detalhe, as aulas tomavam todo o sábado. Portanto, tchau, ensaios.
Pesando tudo na balança, resolvi: tchau, banda.

Por: Clebber Fabri - Jornalista

 

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