1999 estava no meio do segundo semestre e aquele ano tinha sido bem estranho para mim, musicalmente falando. Por uns 6 meses embarquei numa “missão” com um grupo de pagode, o Pura Manha, e depois um de axé/pagode, o Mega Samba. Meus amigos pensaram em me internar. Minha reputação roqueira estava mais desacreditada que a candidatura do Alckmin.

Mas, enfim, estava livre daquilo tudo. Acho que foi ainda num ensaio do Mega Samba que o batera Adilson Biju me disse que estava formando ou já ensaiava num grupo de rock. Mas não prestei muita atenção na história, confesso. Até porque desde o Resina não tinha surgido nada de muito empolgante ou duradouro no rock ferreirense.
Então, numa noite de sexta-feira fui ao Sexta Bar e logo ao estacionar do lado de fora ouvi um Creedence ou coisa do tipo. Oba! Hoje é dia de rock! Estava precisando mesmo ouvir/ver um show assim. E o som estava bem legal. Quando entro, a surpresa: banda Casa Rock. A banda do Biju. Uau!
Na guitarra, o Ricardo Dezotti Dozzi Tezza mandando muito bem numa Les Paul que não me era estranha. Na verdade, era uma guitarra conhecidíssima. Uma Gibson que o Rodrigo Chateaubriand ganhou do seu pai e que ficou comigo uns tempos, quando eu ainda estava no Resina (depois o Ricardo a comprou e a batizou de “Penélope”). Por falar no Ricardão, do (bem) alto dos seus 21 anos, parecia um outro músico, muito diferente do garoto tímido e monossilábico que por volta de 93 ou 94 fez um teste com a gente no final do Resina.
As surpresas não pararam por aí. No centro, ora com violão folk, ora sem, estava a Janaína Fernanda Marcelino, que eu já tinha visto cantar algumas vezes. Mas, sinceramente, não sabia que ela estava cantando tão bem. Na hora em que ela mandou solo “Mercedes Benz”, da Janis Joplin, o bar quase veio abaixo. Sensacional.
E ainda tinha um baixista, um outro garoto, que eu não conhecia e que viria a saber depois que seu nome (ou apelido) era Pessoa. Não gosto de falar de ninguém como músico, a não ser que seja para elogiar. Mas o pensamento que me veio na hora foi: “Imagina se eu estivesse aí (no lugar desse baixista)”... Sem falsa modéstia, eu tocava melhor.
Bem, curti o show a noite toda. O repertório era bem variado e puro “classic rock” nacional e internacional: Creedence, Elvis, Doors, Guns, Ramones, Talking Heads, Rita Lee, Raul...
Não me lembro se foi ainda naquela noite, depois do show, ou alguns dias depois, que conversei com o Biju e deixei muito claro – claríssimo, diria –, que eu havia gostado demais da banda. Gostei muito mesmo, viu, Biju! Olha, gostei tanto que seria uma pena vocês perderem o baixista, mas se precisar eu tô aqui pra substituir, falô? Olha, não estou tocando com ninguém, tá? Tô livre, livríssimo. Se precisarem de alguma coisa, não façam cerimônia, ok? Já falei que gostei pra caramba da banda, né?
Lógico que o meu arreganhamento-quase-implorando-pra-tocar mexeu com o Biju, Ricardo e Jana. Soube então que eles também não estavam muito felizes com o tal baixista. Até que, num ensaio deles, o litígio se instalou e o rapaz do baixo deixou a banda.
Ato contínuo, veio o tão esperado convite.
Cleber Fabbri - Jornalista

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