Aquele show em Campestre (MG) com o Pura Manha foi a gota d’água para eu deixar o grupo. Já tinha algumas semanas que eu havia falado na intenção, mas aguardava pacientemente o pessoal arrumar outro baixista. Só que este nunca aparecia e eu fui ficando. Ficando sem paciência. Até que depois do show mineiro, numa baita rebordosa e num frio groelândico, cobrei a mim mesmo: já deu, fim...

Não fui ensaiar no meio de semana. Não queria mais saber. Sumi. Acho que foi na quarta ou quinta-feira à noite, estava no rancho que eu e alguns amigos alugávamos perto da Sybilla, quando chegaram o Maguila (empresário) e o Ivair Marangoni. “Tião, só mais este fim de semana, por favor”, pediram. Seriam dois shows no local em que mais tocávamos: a choperia de Santa Rita, onde a gente ironicamente não tomava nem um chope! Era proibido beber (“golar”, como eles falavam) antes ou durante as apresentações. E seria um show no sábado e outro no domingo. Haja...
Tá bom, topei e deixei bem claro que seriam os últimos. Livre, enfim. Só que aí aconteceu um episódio que pareceu sacanagem minha, uma “traição”, mas que eu já esclareci no Facebook anos atrás e, depois de tanto tempo, não tenho motivo para enganar ou esconder nada. É a pura verdade o que vou relatar.
Foi assim. Acordei, no sábado do penúltimo show, com o Gustavo Cheffer, irmão do meu “irmão” Borjão (Eduardo), ao telefone. Ele era do “rival” Mega Samba, um outro grupo surgido na época, que seguia uma linha parecida e vinha fazendo, provavelmente, mais sucesso que o Pura Manha. O Gustavo perguntou se eu estava mesmo de saída do grupo – não sei como soube, mas eu mesmo falava para os amigos que estava pulando fora naqueles dias –, que eles teriam um show dali algumas semanas, estavam sem baixista e coisa e tal. “Vamos lá no ensaio hoje à tarde, sem compromisso, só pra você ver se gosta”, convidou.
E eu, confesso, gostava do Mega Samba. Tinha o pagode mauricéba, mas o repertório era mais calcado nos axés e tocavam até Bee Gees e James Brown! Enfim, nem tudo 100% do meu gosto, mas já era um repertório bem mais suportável. Sem falar no grande Alê Araujo, um cara que eu admirava desde que o vi a primeira vez no palco. Era o líder musical do grupo. Veio de São Paulo para Porto. Um músico e cantor sensacional, além de ótima pessoa, que viria a se tornar um grande amigo (tocaríamos juntos depois no Vide Bula, animou a minha festa de casamento...).
Como eu já havia comunicado minha saída ao Pura Manha e não tinha mais compromisso, a não ser cumprir os últimos dois shows – mais um favor meu que um compromisso, diga-se –, resolvi passar no ensaio do Mega Samba naquela tarde de sábado, conforme sugeriu o Gustavo, antes dos últimos shows do PM. O que isso teria de errado?
Nada. Mas aí surge o imponderável de almeida, cujos detalhes darei na próxima coluna.

Cléber Fabbri - Jornalista 

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