Antes de retomar, uma correção feita pelo compadre Cleber Octaviano. A banda Hora H, que era composta por nós dois e o Fernando Vannucci na timba, existiu antes da Rock Company Band. O nome foi dado pelo amigo José Antônio Justiniano, o grande Peru.

Seguindo então, atendi a um pedido do Biliscão e fui substituir o baixista do grupo Artimanha no Sexta Bar. Lembro que conhecia muito pouco das músicas por eles tocadas naquela noite, mas tentei seguir o melhor que pude – e enquanto o teor alcoólico das cubas deixou – os acordes no violão do Oséas Pereira Silva, que conhecia desde os tempos em que ele tocava no Milton & Marcos.
E parece que os garotos gostaram de mim. Tanto que fui convidado para mais um show. E depois mais um, e nessa toada acabei tocando com os caras por 6 meses no ano de 1999.
O empresário do grupo, que logo depois dos primeiros shows mudou o nome para Pura Manha – já havia uma marca Artimanha registrada quando tentaram fazê-la –, era o meu amigo desde moleque Luiz Antônio de Moraes, o Maguila. Ele ainda não era vereador. Os integrantes eram o Betinho Zuzi (cavaco), Danilo “Biro Tulha” (bateria), Ivair Marangoni, Marcelo Ozelim, Norival Francisco Júnior e Juninho (percussão), Rogério Faria e Marcelinho Ponciano (vocalistas), e depois entrou o Paulo Oséas no violão.
Teve mais gente tocando no grupo, como o Mauricinho Ponciano, e alguns contratados para apenas alguns shows, geralmente tecladistas, como o Marcos Coelho (Marcos & Adriana) e o Tieta. Acho que o Viola também tocou um ou outro show. Antes de eu entrar também tocaram o Fabinho Cezário (bateria), Éverton Duz e o Érico Olivieri (violões). Devo ter esquecido de alguém e já peço desculpas, mas é que era muita gente, nem todos membros fixos. Ah, e ainda tinha a dupla dinâmica de “roadies” Rivail Machado e Manu Pereira.
Como disse na coluna passada, alguns eu já conhecia, outros não. No final, fiquei amigo de todos e carrego essas amizades até hoje, que foi a melhor parte de tudo. Tínhamos até “guarda-roupa”, com alguns “uniformes” (camisas de cetim brancas, pretas etc.). Ensaiávamos durante a semana e praticamente todo final de semana havia pelo menos um show. Tocávamos muito em Porto Ferreira e Santa Rita. Geralmente íamos de van. Os garotos faziam muito sucesso com as meninas, é bom registrar.
Muitos amigos meus, principalmente os roqueiros, talvez não me perdoem até hoje por essa incursão no pagode. Tiravam muito sarro, ou ficavam bravos, não entendiam. Para mim, foi uma espécie de experiência sociológica. Conheci um outro público de Porto Ferreira que nem imaginava existir. Parece que saí de uma bolha e isso foi interessante.
Musicalmente falando, até gostava de tocar algumas músicas, ou fazia um grande esforço para gostar. Poucas, mas gostava. E incluí no repertório “Ive Brussel”, do mestre Jorge Ben, canção que, inclusive, cantei quando nos apresentamos no palco da Feife (o Biro tem o vídeo e até hoje estou esperando uma cópia... rs).
Além disso, abrimos shows para gente famosa, como o grupo Desejos, quando veio se apresentar aqui no salão do PFFC – ficamos amigos do vocalista Márcio, irmão gêmeo do Vavá do Karametade, com direito a rolê no meu super Astra pelas ruas da cidade atrás das gatinhas –, e para o ícone Fundo de Quintal, em São Carlos, no Clube Ítalo-Brasileiro – uma verdadeira aula de como se toca o estilo.
O pessoal do grupo sonhava alto e isso era legal. Guardavam os cachês para comprar instrumentos e equipamentos. Mas a rotina de tocar todo final de semana e algo que eu curtia pouco em termos musicais me fez cansar rapidamente. Falei sobre a vontade de sair e eles pediram um tempo para encontrar outro baixista. Mas se passaram uma semana, duas, três... e nada.
Até que num dia de frio siberiano, um domingo, eu numa bruta ressaca, fomos tocar numa festa de peão em Campestre (MG), perto de Poços de Caldas. Na volta, já na madrugada de segunda-feira, nunca passei tanto frio na vida dentro daquele ônibus. Foi a gota d’água. Chega.
Só que fatos não programados deixariam minha saída do grupo com ares ardilosos...

 

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