Recapitulando, o Resina havia acabado em 1993 e alguns anos depois eu resolvi comprar um cobrabaixo para voltar a praticar no instrumento que eu mais gostava. No início, tocando apenas em casa e pegando o jeitão de novo das quatro cordas.

Até que um dia surgiu um convite para uma “jam” na casa do Du Magnani (batera). Fui, lógico, louco para fazer um barulho. E foi então que, pela primeira vez, vi o Rodrigo Felício tocar guitarra. Eu já o conhecia, mas nunca tinha visto tocar. Foi um choque. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ver um moleque de extrema técnica e com um gosto musical de alto nível (tocava umas coisas do Yes em sua Epiphone Les Paul que era brincadeira). Triste porque eu constatei que, perto dele, eu era mesmo um zero na guitarra. Tudo bem, meu negócio agora era o baixão e eu tinha um virtuose ao lado.
Depois disso, o Du organizou uma festa para nós tocarmos, numa chácara na Estância dos Granjeiros, onde o Zumba (assíduo leitor desta coluna) morava na época. A festa se chamava “Festa Ducachorrolouco”. Nós abriríamos a noite para a banda Amnésia, de São Carlos, aquela do “show da fome” de anos antes. Estava um frio de lascar, mas foi legal voltar a tocar numa banda.
Depois da festa do Du, nos chamaram para a noite de abertura do Sexta Bar (antigo Atalho). O meu amigo, irmão, parceiro, colega, compadre e xará Cleber Octaviano, de Santa Rita, estava trabalhando no jornal comigo e nós retomamos as parcerias musicais dos tempos da faculdade. Lembro que a coisa não foi muito legal no Sexta Bar porque o Du tocava muito alto e o pessoal queria um som mais maneiro – houve até uma troca de impropérios entre o nosso cordial baterista e o Cacaio Gentil... rs
Depois disso, o Felício e eu decidimos chamar o Adilson Biju para a bateria. Ele era muito amigo do Valmir Zuzzi, dono da Rock Company. Vai daí que o Valmirzão sugeriu que a banda se chamasse Rock Company Band e organizou um evento para a gente tocar. Era um troço inédito. Montar um palco na frente do estacionamento do antigo Saef, em plena rua Nelson Pereira Lopes (o Valmir tinha a loja em frente), e fazer o show numa sexta-feira à noite, na época das festas de Natal.
Começamos a ensaiar no Sexta Bar. O repertório era pesado: AC/DC, Purple, Led, Hendrix e algumas coisas boas que o Felício e o Biju apresentaram para mim, como Gov’t Mule e Robin Trower. Resolvi chamar o Clebinho para fazer a base e: pronto. Tiramos uma foto para colocar no jornal, anunciamos nos amigos da imprensa e tudo mais. O show foi meio loucura. Um puzta trânsito, já que a rua não foi impedida, gente curiosa passando atrás e na frente da banda pela calçada e pela rua, uma coisa meio Beatles no terraço da Apple, guardadas as indevidas proporções.
Depois desse show, nunca mais tocamos os quatro juntos. Eu e o Felício chegamos a montar um quarteto de MPB e bossa nova (!!!) com o gente boa do Ivo Bragante (sax) e mais um rapaz que não lembro o nome, na percussão. Acho que fizemos uns dois shows na extinta Cachaçaria. O Felício, nesta época do quarteto, já estava se dedicando mais ao piano (!!!). Depois ele cursou música na Unicamp.
OBS: a foto foi clicada pelo Jamilson Eugênio, ao lado da Redação do Jornal do Porto, em 1997. Da esquerda para a direita, o batera Adilson Biju, o guitarrista Rodrigo Felício, eu (baixo) e o Cleber Octaviano (guitarra).

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