Retomando a prosa, com a saída do Daniel San nós colocamos pela primeira vez um tecladista no Resina, de forma efetiva. Graças à minha ótima memória, lembrei esta semana que o nome completo do garoto era Fernando Rodrigues. Embora morando em Pirassununga, era de família ferreirense. Como lembrei também que ele depois formou-se em Arquitetura e, olha só, projetou a Emei do Jardim Porto Bello – mentira, não lembrei nada disso, foi o Duto Colussi quem me zapeou as informações no sábado passado, depois de ler a última coluna (ele é um dos 38 leitores e meio, mas não conto quem é o “meio”).

Agora com uma guitarra importada, pedaleira nova, tecladista, eu, Júnior, André, Cilder e Fernando começamos a tirar novos sons. Algumas do Pink Floyd ficaram muito boas, como “Confortably Numb” e “Run Like Hell”. O teclado preenchia os buracos, fazia aquela cama maravilhosa. Outra que ficou muito boa foi “Beds Are Burning”, do Midnight Oil. Havia ainda as clássicas do “Tears For Fears”. São as que eu me lembro no momento.
Também no ano de 1993 o Valmir “Page” Zuzzi estava a todo vapor com a sua Rock Company. Nós já havíamos participado de shows que ele produziu, como quando trouxe o bluesman André Christovam e o baixista Oswaldo “Kokinho” Gennari (ex-Patrulha do Espaço, falecido em 2009) no Atalho – e o André Ruiz fez a bateria. Nessa época, a sede social do PFFC, o popular Clubão, tinha caído bastante o movimento. Acho que foi a primeira vez na história da cidade que a praça central deixava de ser o ponto de encontro da moçada, espalhando por outros lugares, como a rua Dona Balbina, o Skundido, o Ponto de Encontro etc.
Mas o Valmir resolveu fazer um show no Clubão, no sábado à noite, com o Resina. Talvez o nosso nome levasse o público de volta ali. A concorrência era pesada, com o Clube de Campo bombando com qualquer coisa que colocasse nas noites de sábado, seja baile ou boatinha. Bem, não custava tentar. O som estava muito bom na passagem. Só que na hora do show aconteceu o que temíamos: apareceu uma meia dúzia de gatos pingados. Literalmente. Foi bem frustrante. Acho que tocamos só uma hora ou menos e depois fomos para o Clube de Campo (fazer o quê?).
Então, pouco tempo depois veio o “show da fome”. Na verdade, era um show coletivo beneficente dentro daquele movimento do sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho, chamado Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. O Valmirzão organizou a coisa lá no Clube de Campo, na praia do meio. Seria um domingo inteiro de música. E quem iria fechar? A gente! Uma honra.
Não lembro de todos que tocaram, mas estavam lá o Aminésia, de São Carlos – uma molecada louca (e boa) pra dedéu –; e a banda nova do Kokinho, a Scarlet Sky, que ainda tinha Inajara Gonsalvez (vocal), Guto Marialva (engenheiro nuclear do Ipen, primeiro guitarrista do RPM, depois voltou a tocar com Paulo Ricardo, pegou a volta do Joelho de Porco neste século e morreu em 2014) e Alex Nasser (bateria). Aliás, eles já tinham tocado em Porto Ferreira num show na frente do Skundido, também organizado pelo Valmir. Encontrei um clipe da Scarlet Sky no Youtube. Eles cantavam em inglês e a ideia era lançar os discos só no exterior, para ser uma espécie de Sepultura com uma loira no vocal. Mas não deu muito certo. A banda fez apenas dois discos.
Bem, tinha mais gente tocando nesse dia, que eu precisaria pegar um jornal antigo para pesquisar – olha só como jornal de papel é importante! E como acontece em todo show com muitas bandas/artistas, o horário vai sendo desrespeitado, todo mundo toca um pouco a mais, demora outro tanto para começar e o resultado é que a gente, que deveria fechar o show no melhor horário, lá pelas 17h, acabamos entrando no palco por volta das 21h. Resultado: só ficaram os (bons) amigos para assistir. E posso falar que, na minha opinião, deve ter sido o melhor show do Resina em termos de execução das músicas. E seria também o último, desde que havíamos iniciado, em 1987.
Mesmo com uma grande banda, os dois shows sem plateia deram uma desmotivada geral. Um tempinho depois o André chegou pra gente e fez uma proposta inusitada, mas não que causasse surpresa. Contarei na próxima coluna.

 

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