O ano de 1993 foi o último do Resina, digamos, de forma ininterrupta desde a formação. Isto porque voltaríamos para um “tour” algum tempo depois, em 1998. Mas isto ficará para outra coluna.

Com a saída do Daniel San voltamos à formação de quarteto. Eu, na guitarra; Cilder, na outra guitarra; Júnior Suzigan, no baixo; e André Ruiz, na bateria. E, claro, a Catarina. Para quem não conheceu, era nossa mala, daquelas bem antigas, com cantoneira de ferro, forro xadrez, que o seu Walter, pai do André, arrumou para a gente, desde o início, levar cabos, pedais, suportes e outras tralhas. Foi uma companheira fiel, em suma.
Esqueci de contar na coluna passada que durante o ano de 92, quando estávamos como quinteto, fizemos um projeto paralelo dentro da própria banda. O Cilder na guitarra ou violão, eu no baixo – emprestava aquele Ibanez lindão do Suzigan – e o André na bateria. Apelidamos de Resina 3/5. O Cilder liderava a coisa e, por conta disso, fazíamos um som recheado de MPB, rocks mais leves e até um samba ou bossa apareciam. Tocávamos Djavan, Gil, bastante Kiko Zambianchi, Emílio Santiago, Tim Maia... Para mim foi muito interessante, pois voltei a brincar um pouco com o baixo, o instrumento com o qual comecei a tocar na noite com o Fruto da Imaginação, quase 10 anos antes. E eu adorava tocar contrabaixo. Tanto que seria com este instrumento que anos depois terminaria meus dias de palco, glórias, Grammys e sucessos mundiais (menos, Barbosa...). E terminei justamente tocando com o Cilder, no Vide Bula, mas também os detalhes ficarão para depois.
Voltando a 1993. Foi o ano em que comprei meu primeiro instrumento importado. Depois da Dolphin modelo King preta, que era muito jeitosa e tinha um som puxado para as Ibanez, eu caí na besteira, por volta de 91 ou 92, de comprar uma Giannini Stratosonic de uma série especial. Era linda, visualmente. Preta, escudo preto, braço escuro, microafinação e tal. Mas acho que era por causa justamente dessa ponte com microafinação que ela não parava afinada de jeito nenhum. A prova são os vídeos do Youtube do “Dia S” de 1992. Bem, aquele dia tanto a minha guitarra como a do Cilder estavam fora de tom, a captação do som era feita diretamente na câmera de vídeo do Júnior Artêmio em cima do palco. Enfim, um horror de áudio. Vale mais pelo registro histórico. Mas a gente era bem melhor que aquilo, sem modéstia.
Irritado com a Giannini, fui eu mais uma vez ao Beno Papa, na Prisma, em Pirassununga, ver se havia alguma novidade. E sempre tinha. E sempre dava negócio. Resumo: comprei uma Peavey americana, modelo Stratocaster, vermelha, escudo branco, braço claro. Coisa linda. Mas não apenas no visual. No som também. Devo ter dado a Giannini no rolo e dividido a volta a perder de vista, como sempre. Um tempo depois ainda compraria lá uma Tagima Telecaster, que depois vendi ao meu compadre Cleber Octaviano, de Santa Rita.
Na banda, a gente sentia que precisava de algo a mais depois da saída do San. Foi então que o André convidou para tocar com a gente um tecladista chamado Fernando, de Pirassununga. Salvo engano, ele tocou com o André no Carnaval daquele ano, na banda do Rogério Bonani (acho). Se bem me lembro, era formado em Arquitetura. A única certeza que tenho na lembrança era que tocava muito bem.
Um tecladista era novidade pra gente. Com exceção do Jonas Jacob Chiaradia, também tecladista, que chegou a fazer uns ensaios conosco anos antes, nosso som sempre foi mais cru. Mas agora teríamos um tecladista efetivo. E foi com esta formação que encerraríamos a banda, mas explico como foi isso na próxima coluna.

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