O que deveria ter sido uma simples apresentação à nossa egrégia Câmara Municipal sobre o posicionamento do Ministério Público local favorável ao arquivamento da denúncia do vereador Sérgio R. de Oliveira (DEM), sobre supostos gastos irregulares na contratação de uma empresa prestadora de serviços ao Poder Legislativo ferreirense, acabou numa desastrosa manifestação de repúdio do ilustre presidente da casa contra o autor da denúncia que cumpria sua função como edil, contra outros vereadores e, como sempre, à imprensa, mais especificamente ao Jornal do Porto, que na ocasião da apresentação da denúncia também cumpria sua função noticiando o fato.

O que se passou na nossa casa de leis na última segunda-feira, dia 21, na fala final da sessão, foi algo inconcebível de se admitir, quando o nobre presidente da casa do povo se insurge contra aqueles que ele imagina serem seus algozes, de forma desproporcional ao cargo que ora ocupa, transformando aquele recinto que é, acima de tudo, mantido com o dinheiro público, numa verdadeira sessão de inquisição medieval, sem que o atacado tivesse a mínima chance de se defender no momento, pois o sr. presidente foi o último a usar a tribuna regimentalmente.
O ilustre presidente usou apenas aproximadamente 20 minutos de sua fala e bastou para que a máscara do bom rapaz, da pessoa cordial, sensata, caísse por terra e revelasse sua verdadeira identidade de inquisidor.
Contra o Jornal do Porto nada foi novidade, pois não é a primeira vez que um político usa dos mesmos argumentos e modus operandi para nos atacar, ofender, intimidar, colocando-nos contra as verdades dos fatos.
Dentre tantas infâmias, o nobre presidente diz que o Jornal do Porto incentivou o vereador Sérgio na denúncia, o que é uma tremenda mentira do gestor da nossa Câmara. Entretanto, como o presidente acredita na mentira que fala, tomamos a liberdade de no mínimo defender o vereador, o homem, o cidadão, o chefe de família Sérgio R. de Oliveira, que foi execrado publicamente “pelo bom rapaz”.
São dezenas de acusações insanas feitas pelo presidente da Câmara. Entretanto, quando ele diz que o vereador Sérgio “esperou 11 meses para apresentar a denúncia e, literalmente, escarrar no prato de comida que o satisfaz diariamente”, o bom rapaz, de boa índole, benevolente, sensato, pela veemência da acusação que fez, não deixa dúvida que ele também faz parte desta ceia. Quando diz que esse “elemento que vergonha traz à Casa de Leis”, o nobre presidente da Câmara deixa claro quando assim se expressa, que não tem a sensibilidade suficiente de entender que o seu pronunciamento vulgar, maléfico, não condiz com o cargo que ocupa e enlameia muito mais a Casa de Leis que preside.
Fora de si, cego pela revanche e pelo ódio, afirma textualmente que “Esse representante, que não foi eleito pelo povo – com certeza aí está o peso de carregar esse fardo durante o mandato e a inveja dos colegas eleitos...”.
Ora sr. presidente. Quem não foi eleito pelo povo para o cargo de presidente da nossa honrosa Câmara foi o senhor. Infelizmente o povo não vota para o cargo de Presidente da Câmara. O sr. foi eleito por 6 votos a 5 numa eleição da própria Câmara e pelos 11 vereadores eleitos pelo povo, incluindo o sr., todos com direitos e deveres iguais, cujo o resultado demonstra com clareza a divisão da Câmara e prova em que situação o sr. foi eleito. Tem mais, o sr. só vota na Câmara em caso de desempate.
Meu Deus, a que ponto chegamos quando o poder cega as pessoas. Elas não mais são donas de si. Afirmam coisas que em juízo perfeito jamais afirmariam.
Lamentavelmente, nos resta dizer que o vereador Sérgio, eleito sim pelo povo, cumprindo sua função, demorou 11 longos meses para formular uma denúncia de uma suposta irregularidade, apenas isto. O presidente da Câmara demorou apenas cerca de 20 minutos e pelo conjunto da “obra” para cometer delito da falta de decoro parlamentar e para se mostrar uma pessoa destemperada, desleal, despreparada para o cargo de presidente da Câmara Municipal de Porto Ferreira que atualmente ocupa.
Esperamos não voltarmos mais a este desastroso assunto, na certeza de que a reflexão seja o bálsamo que alivia os males.
O pronunciamento do sr. presidente foi um tiro que atingiu não só o próprio pé do sr. presidente, mas sim, de todo o legislativo ferreirense.

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