Em meados de 1988 nós tínhamos completado um ano de apresentações com a banda. Eu tinha acabado de fazer 18 anos, estava estudando durante a semana na UFSCar e morando em São Carlos. O restante da banda – Duto, Cláudio, Júnior e André – continuavam em Porto Ferreira. O primeiro estava no terceirão do CJK de Pirassununga. Os demais, em escolas estaduais em PF.

Tínhamos atingido um bom nível de sucesso na cidade e região, mas ainda éramos um tanto imaturos, musicalmente falando. Só que o progresso de cada um era visível. Penso que eu fui o que menos avançou ou mais estagnou em toda a trajetória da banda. Porque já vinha com uma certa habilidade que não mudou muito mais com o tempo. E me considero bem medíocre. Ao contrário dos outros.
O André Ruiz, sem dúvida, foi o nosso integrante mais talentoso. Com o passar dos anos se tornaria um verdadeiro músico profissional. Exuberante. Mas eu sempre admirei também a trajetória do Júnior Suzigan. Ele tinha um biótipo diferente dos baixistas tradicionais. Meio gordinho, meio baixinho, mãos e dedos pequenos. Assim como eu, nunca teve aulas, mas era de um instinto impressionante. Quando iniciou com a gente, praticamente não sabia tocar nada. E, com o tempo, foi mostrando uma evolução e uma “soltura” em cima do palco absurdas.
Acho que foi ainda em 88 que tivemos a primeira baixa. O Cláudio Lepri, um belo dia, chegou e anunciou que sairia da banda. Mas, como assim? Foi ele quem criou tudo, juntou a gente, tinha uma pá de equipamentos na garagem, que cedia a casa para os ensaios! Pois é, mas um bimestre ruim na escola fez seus pais o tirarem da banda. Naquela época a gente obedecia.
Puxa vida, e agora? Como o André era filho de músico, do nosso empresário Walter, foi natural mudarmos o local dos ensaios para o quartinho dos fundos da casa do baterista. E assim seria até o final da banda (quantos ensaios, quanta gente passou por ali). Como um quarteto, eu sem o apoio de outra guitarra, continuamos evoluindo e tocando.
No início de 89 (acho) veio o outro baque. O Duto Colussi também estava fora, já que iria mudar de cidade para estudar. Teria de me virar com todos os vocais principais dali em diante. Foi então que entramos num período, que durou de 2 a 3 anos (1989, 90, 91), em que consolidamos realmente o grupo.
Nessa época, o Júnior e o André passaram a conhecer muitas bandas e artistas que, ora eu emprestava um disco, ora eles mesmo descobriam e gostavam. O conhecimento musical deles abriu o leque. Variava dos clássicos progressivos, do heavy metal, de bandas nacionais, de tudo um pouco. E, claro, Rush. Muito Rush. Era a principal banda na qual a gente se inspirava, já que éramos também um trio.
O Júnior e o André ficaram muito amigos e ligados, pois tinham praticamente a mesma idade. Era bacana ver os dois garotos mais novos que eu descobrindo muita coisa.
Nesse período de 3 anos minha vida também mudou drasticamente. Primeiro, mudei de curso na UFSCar – fui de Física para Engenharia Civil. Depois, meu querido pai subiu de plano. Em seguida, larguei o curso e voltei para Porto. Meio perdido, comecei a trabalhar no jornal. Amei. Fui cursar Jornalismo à noite na Unaerp. Fique dono do jornal.
Na banda, a gente ficou mais sério. Levávamos tudo com muita responsabilidade. Ensaiávamos muito, muito mesmo. Em três, era bem fácil o entrosamento. E isso se refletia nos shows, cada vez melhores. Até tentamos trazer mais gente para a banda, mas sempre faltava algo para dar liga.
Esta segunda fase como trio, portanto, talvez tenha sido a mais importante. Mas logo isso iria mudar, com a entrada de dois “forasteiros”.
PS: já estava enviando a coluna à Redação hoje cedo quando soube da morte do querido Luiz Dozzi Tezza. Preciso registrar que ele foi um, entre tantos, que nos incentivou como banda no início. Inclusive emprestou seu caminhão para aquela famosa viagem a Mogi Guaçu. E, se não me engano, apresentou o evento. Vai em paz!

0
0
0
s2sdefault