Segundo pesquisa recente do DataBastião com meus 35 leitores e meio, 69,44% estão gostando das colunas sobre minha épica, incrível e magnânima saga musical. Já cogitaram meu nome ao Jabuti e ao Pulitzer, inclusive, uma vez que o Nobel de Literatura deste ano já é do “youtuber” Felipe Neto – também não sei quem é, mas pergunte ao seu filho, sobrinho ou neto que ele te explica.

Todavia e contudo, para não cansá-los e também confortar a minha outra parcela de leitores, hoje vou abordar um tema mais geral. Algo que me deixou um pouco cabreiro esta semana.
Assistindo na TV a uma das trocentas reportagens chatas sobre a tal Agrishow, vi a repórter mostrar uma colheitadeira que custa quase 2 milhões de têmeres golpistas. A moça do microfone só não disse que, com uma máquina dessas, algumas dezenas de empregos no campo serão extintas. Se é que já não foram.
Assim está sendo com o Uber e o antigo modelo de serviço de táxi. Ou moderniza, adapta, aprende, reinventa ou vai morrer de fome. É o tal do desenvolvimento, gostando ou não.
Pesquisa do Reino Unido que li outro dia diz que 50% dos empregos e profissões como as conhecemos hoje vão acabar em 30 anos. 30 ANOS! É daqui a pouco.
Este processo vai afetar todas as camadas da pirâmide. Eu, por exemplo, se não aprendesse coisas que não são específicas de jornalista - ou que não me ensinaram na faculdade, como design, editoração, construção de site, artes publicitárias, etc. e tal - estaria penando hoje.
E até antevendo um período negro para a minha profissão, já que todo mundo hoje em dia divulga informação, já que as pessoas AINDA não entenderam a importância de se ter uma fonte confiável, já que tem muita gente (até professores!) que não consegue diferenciar uma fakenews de uma notícia real, ingressei ano passado no curso de Direito.
Muita coisa que estou aprendendo sobre leis e processos já estou usando na profissão de jornalista e de assessor de comunicação. Mas não sei se tentarei uma carreira como advogado, ou se prestarei concursos, ou mesmo se conseguirei concluir os estudos.
Talvez siga o exemplo de um dos meus professores. Ele largou a carreira de advogado e está investindo na formação acadêmica. Atualmente cursa um doutorado. Na casa dos 50 anos, ele explicou a mudança: “A única carreira em que um profissional experiente ainda é valorizado e tem mercado é a de professor universitário. Esta é minha aposentadoria”, disse. Gostei. Talvez eu vire professor também, já que parar de trabalhar não está no meu horizonte.
Voltando à pesquisa do Reino Unido, ela diz que talvez um médico seja substituído por um robô. Ou um engenheiro, professor. Supermercados devem acabar. Enfim, o mundo nunca mudou tão rápido. É bom ficar esperto.
Da mesma forma, alguns defendem que tudo é um ciclo. Temos profissões hoje que não tínhamos há 20, 30 anos. Volto ao meu exemplo. Meu trabalho em essência não mudou. Continuo falando e escrevendo. O que mudaram foram as plataformas, os canais, e para tudo isso a gente tem de aprender a lidar. Ou talvez não. Está aqui e o bom e velho jornal de papel me dando guarida.
Então, a todos desejo um atrasado “Feliz Dia do Trabalhador!”

Por Cleber Fabbri, jornalista e funcionário público

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