Um dos maiores jornais da história brasileira está de volta depois de 8 anos sem edição impressa. O Jornal do Brasil retornou ao papel e tinta no domingo (25) e, melhor ainda, esgotou sua edição de 50 mil exemplares no primeiro dia.

A decisão do retornar de forma impressa depois deste hiato pegou a área jornalística de surpresa. Afinal, hoje em dia todo mundo, ou quase, diz que os jornais impressos estão com seus dias contados, por causa do avanço da internet e das novas tecnologias.
Considerado um patrimônio do Rio de Janeiro, o JB foi fundado em 1891 e marcou a modernização do jornalismo brasileiro a partir de 1959, quando Janio de Freitas, hoje colunista da Folha de S. Paulo, comandou sua reforma gráfica.
Neste retorno, o jornal espera quebrar a ideia corrente de “morte” dos impressos com uma receita simples: muitas reportagens especiais, bem apuradas, bons assuntos, artigos e colunas, que se somarão ao material noticioso de agências. Sem falsa modéstia, é aquilo que nós, do Jornal do Porto, estamos batendo na tecla há um bom tempo.
O jornalismo de qualidade nunca vai acabar. Seja ele impresso, eletrônico ou em qualquer plataforma que vier a ser criada. Porque a sua essência será sempre a mesma. O público quer informação de qualidade, apurada por quem conhece o ofício.
A onda das “fake news”, ou “notícias falsas”, que assola principalmente as redes sociais, até que vem, em certo ponto, contribuindo para o jornalismo. As pessoas, aos poucos, vão percebendo que confiar em qualquer coisa que está na internet, só porque tem “aparência” de notícia séria, pode ser uma grande roubada. E pode causar problemas, constrangimentos e até fazer quem propaga uma coisa dessas, mais dia, menos dia, passar vergonha (no mínimo).
É uma espécie de educação lenta e gradual. Boa parte do pessoal das redes sociais não tinha o hábito de ler jornais e revistas. Só começaram a consumir notícias como leitores recentemente, portanto. Não têm a cultura necessária para diferenciar o que é falso do que é real. Desta forma, vão ainda apanhar um pouco até perceber e dar valor aos canais que realmente são comprometidos com a verdade, com o jornalismo sério.
Outra notícia que trouxe surpresa nas últimas semanas foi o fato de a Folha de S. Paulo não mais utilizar o Facebook para distribuir seu conteúdo. Os motivos elencados pelo jornal são: a alteração dos algoritmos implementada pela plataforma que “passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos produzidos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional”, e o fato de o Facebook não ter conseguido “resolver satisfatoriamente o problema de identificar o que é conteúdo relativo a jornalismo profissional e o que não é”, o que de acordo com a Folha contribui para a disseminação das “fake news”.
A volta do JP impresso e a briga da Folha com o Facebook diz muito sobre o futuro do jornalismo. E fazem com que o Jornal do Porto mantenha suas convicções e seu modo de produzir notícias.

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