Após assistir ao primeiro ensaio dos garotos que moravam perto de casa e conhecer os ótimos equipamentos de que dispunham, claro que pensei em me juntar a eles. E a ideia deles também era me levar para a banda. O útil ao agradável, pois.
Cláudio Lepri, André Ruiz e Júnior Suzigan disseram até que já tinham um nome para a banda: Resina! Eu fiz a pergunta que a partir de então eu também responderia até hoje: Resina? Por quê? Foi então que o Cláudio explicou que o nome havia sido sugerido pelo artista plástico Vitor Sanaiotti, que trabalhava com este material. Uma coisa moldável, adaptável, além de um nome forte, fácil de falar, guardar. Numa época em que estavam em alta Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, João Penca e seus Miquinhos Amestrados, até que Resina parecia mesmo bem melhor. E o Vitor, aliás, prestou outras colaborações ao “marketing” do grupo. Fez logotipos, cenários, frequentava ensaios, shows etc. Um apoio muito bacana para nós, garotos, naquele início.

Entrei para a banda, numa segunda guitarra e vocal, e começamos a ensaiar. Bem, eles já ensaiavam algumas músicas. Lembro de “Rebelde Sem Causa”, do Ultraje, “Até Quando Esperar”, da Plebe Rude (que nunca mais saiu do repertório e foi aquela que me espantei ao ver o André tocar perfeitamente desde o primeiro ensaio), “I Don’t Care”, do Ramones (que eu não conhecia e tem o mesmo riff de “Que País É Este?”, da Legião). Eu trouxe “Cocaine”, “Vital e Sua Moto” (ou já estava, não tenho certeza) e “The Wall”, que também seriam marcas registradas do repertório. E a coisa foi crescendo. Barão Vermelho, Kiko Zambianchi, Ira!, Legião, Titãs, The Cure...
Em pouco tempo já tínhamos umas 20 músicas mais ou menos ensaiadas. Aí voltamos para a Parte 8 desta saga. Nessa mesma época eu também tocava muito no estúdio que o meu irmão Vlamir e o César Riolino montaram, o Zack. Criamos até uma banda, como já falei, para a qual convidei o André para tocar bateria. Teríamos um show na danceteria De Repente (ou Derrepente?), do Cir Acrani, que ficava no salão em cima do Tremendão.
O Cir era primo do André. Então, finalmente, depois do show do Zack marcamos a estreia do Resina também no De Repente. Era meados de 1987. Acredito que uma sexta ou sábado à noite. O local encheu de gente. Estávamos bem ensaiados na maioria das músicas. O som forte. O Ismael Bezerra fazia parte da “equipe técnica”. O seu Walter, pai do André, atuou como empresário (e não pararia mais). Havia ainda os amigos próximos que já eram fãs mesmo antes do primeiro show, como o Rodrigo Gentil, o Gabriel Peres e o Pierre Disney Rosa, que ajudaram a carregar os equipamentos.
O show começou e me lembro da cara de espanto da galera. Aqueles quatro moleques de 14 a 17 anos, que você esbarrava pelos cantos da cidade, mandando muito bem para os padrões da época, com um repertório bem atual. Uma pena que antes da metade do show tive um problema na minha guitarra. Não lembro se estouraram cordas ou foi a entrada do cabo. E agora? O Cláudio, num gesto de extremo altruísmo, disse para eu continuar com a guitarra dele, aquela Ibanez maravilhosa, com a correia que esticava como elástico (só os músicos top tinham). E assim foi até o final.
Sucesso total, embora muita coisa precisasse mudar ou melhorar. E o segundo show traria muitas novidades, inclusive com o “quinto elemento”.
• Escrevi ouvindo: Djavan (sempre escrevo ouvindo música e vou colocar aqui o som do momento do texto).

Por Cléber Fabbri - Jornalista e Funcionário Público

0
0
0
s2sdefault