Começo agora a parte de maior valor sentimental para mim nesta saga musical: a história do Resina, grupo com o qual até hoje sou identificado por boa parte das pessoas, “o Tião do Resina”. Sim, foi a banda mais marcante, mais querida, por vários fatores. Fora aquele delicioso período da vida que vai dos 17 aos 23 anos, talvez porque foi ali que eu realmente cresci como músico, fiquei conhecido como tal, aprendi quase tudo sobre um palco, conheci inúmeras pessoas bacanas, entre parceiros, fãs, seguidores. Tive verdadeiros irmãos na banda, e acho que isso é o que importa na vida.

Eu conhecia o Cláudio Lepri e o André Ruiz desde criança. Morávamos perto, estudávamos na mesma escola, o Sud Mennucci. Eu era uns 3 ou 4 anos mais velho que eles. O irmão do Cláudio, Antenor, era amigo do meu irmão. Em 85, logo depois de falar comigo num show do Fruto da Imaginação no JR Bar, o Antenor faleceu num trágico acidente de carro num trevo da cidade.
A irmã do André, Cíntia, estudava comigo desde a quarta série, quando a família veio de São Paulo. Nas últimas séries do atual ensino fundamental 2 tive aulas com os pais do André: Célia (Matemática) e Walter (Ciências e... Música!).
Dos meus 12 aos 17 anos morei na rua Coronel Procópio de Carvalho, num ponto praticamente equidistante das casas do Cláudio e do André. Acredito que todos esses fatores contribuíram para acontecer o que aconteceu.
Não me lembro ao certo como foi, mas de repente, por volta de 86, o Cláudio e o André começaram a frequentar minha casa. Eles queriam ver eu tocar violão, guitarra, nas tardes de vagabundagem coletiva. Ficavam ali, prestando atenção, fazendo perguntas. Até que um dia disseram que iriam montar uma banda. Eu já tinha tocado “na noite” desde os 14 anos e dei a maior força, mas confesso que não coloquei muita fé nos garotos no início. Afinal, nem tinha visto eles tocarem. Só me lembro do André tocando caixinha na fanfarra do Sud.
Então um dia eles me chamaram para ver um ensaio. Uau. Sinal de que as coisas tinham avançado. Era na casa do Cláudio. Naquela única garagem de Porto Ferreira que tinha portão com acionamento eletrônico e um bico de avião no interior. E minha surpresa foi maior ainda quando entrei e vi a quantidade de equipamentos que o seu Valdemar, pai do Cláudio, já havia adquirido para a banda. Um conjunto de PA inteiro de uma marca nacional (subgraves, graves, cornetas), microfones, mesa com vários canais, amplificadores, pedestais, caixas de retorno de chão, uma bateria Gope para o André tocar. O Cláudio, que tinha uma guitarra Giannini, comprara uma Ibanez preta (japonesa, importada), com Midi, um troço que acoplado a um teclado Roland (também importado) fazia o instrumento soar com os sons deste último. Uau. Uau!!! Era muito para quem, como eu, sempre sofrera para comprar ou tocar com um equipamento decente.
No contrabaixo estava um outro garoto, meio loiro, olhos claros, baixinho, um tanto tímido, que eu nunca tinha visto na vida: Júnior Suzigan. Ele não deixou por menos quanto ao equipamento: tinha um baixo Ibanez vermelho, com captador ativo (nunca tinha visto isso).
Eles então começaram a tocar umas coisas para eu ver. De cara quem me impressionou foi o André na bateria. Muito preciso, ritmado, tocou as músicas iguaizinhas às gravações. O Júnior estava bem no início de sua aventura no instrumento, mas percebi que tinha potencial e poderia avançar muito (como avançou). E o Cláudio também estava tocando bem melhor do que eu esperava, faltando um pouco de treino apenas e, quem sabe, com um cara mais “experiente” na banda para azeitar tudo...

Escrevi ouvindo: Kiko Zambianchi (sempre escrevo ouvindo música e vou colocar aqui o som do momento do texto).

Por Cléber Fabbri, Jornalista e funcionário público

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