Em 1879, quando os trilhos da Companhia Paulista já haviam ultrapassado Pirassununga, aqui sobre o rio Moji Guaçu foi construída uma ponte de madeira.

Pouco tempo depois, no dia 15 de janeiro de 1880, foi inaugurado o trecho que chegava próximo ao rio, em local ermo e sem nenhum interesse comercial que viesse favorecer a ferrovia, conhecido como Porto de João Ferreira.

O interesse era fazer os trilhos atravessarem o rio e alcançar a região cafeeira. Enquanto esperava pela decisão do governo, a Companhia Paulista fez seus trens chegarem a Descalvado, já importante sede de comarca. O trecho foi inaugurado no dia 7 de novembro de 1881.

Em 1883, quando a Companhia Paulista se viu prejudicada pela decisão governamental que deu preferência à Mogyana, não se deu aquela por vencida, procurando novos caminhos a fim de não perder o lucrativo negócio de transporte que oferecia às safras cafeeiras.

Resolveu, então, empreender o transporte fluvial pelo rio Moji Guaçu que, partindo do Porto de João Ferreira, alcançaria a região almejada. Mas antes de implantação da navegação, a Paulista deu apoio aos proprietários de terras localizadas à margem direita do Moji Guaçu e então surgiu uma nova ferrovia de bitola estreita (60 centímetros), que, passando sobre a ponte de madeira*, ligava Porto Ferreira a Santa Rita do Passa Quatro e Vassununga.

Partindo de nossa cidade, o trem, logo depois de passar o rio Moji Guaçu, parava no sítio São João, do João Mutinelli e prosseguindo em seu trajeto, parava na caixa do rio São Vicente para abastecimento de água.

Foi inaugurada no dia 15 de outubro de 1884 e, sete anos depois, incorporada à Companhia Paulista.

A estação definitiva da Companhia Paulista só foi construída em 1913. Como o trenzinho que servia Santa Rita não fazia conexão em todos os horários dos trens que passavam aqui, com saídas ou chegadas de São Paulo, um ônibus fazia o trajeto Santa Rita-Porto Ferreira, transportando passageiros. Fazia parada no pátio da estação e o motorista que mais ficou conhecido foi o gordo Nativelle Barban, que também era proprietário da empresa.

O coletivo era conhecido por "Jardineira do Nativelle" e ele, de boa aparência, muito educado e de bom papo, era muito estimado. Todos conheciam Nativelle, que bem cedo subiu para Deus. Com 41 anos de idade, faleceu no dia 9 de março de 1950.

O ramal do trenzinho foi extinto no dia 12 de março de 1960 e os trilhos tirados um ano depois. No dia 10 de novembro de 1971 a Companhia Paulista foi desapropriada pelo governo do Estado e incorporada à Fepasa - Ferrovias Paulistas Sociedade Anônima.

Porto Ferreira, que chegou a ser servida por trens de passageiros ou mistos em três horários diários para São Paulo, ida e volta, passou depois de algum tempo a contar com um único trem, que foi suprimido pela Fepasa no dia 10 de agosto de 1976. Os trens de carga pararam pouco tempo depois.

Uma das distrações de nossa população, principalmente para moças e rapazes, era ir à estação ver a chegada do trem e aproveitar para um "tiralinha", que muitas vezes terminava em casamento.

Levado pela saudade, às vezes, volto à estação. Parece que ainda ouço o barulho do trem, com gente apressada descendo ou subindo, chegando ou partindo.

* A ponte de madeira foi demolida em 1913, após a construção da ponte de metal.

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