Tocar na banda Casa Rock teve alguns lances muito curiosos. Depois que estreamos em Casa Branca, fizemos o famoso show do Natal no Clube de Campo das Figueiras em 1999 e ficamos bem conhecidos na cidade. Só lembrando, a banda era eu no baixo, o Ricardo Dezzotti Dozzi Tezza na guitarra, a Janaina Marcelino no vocal principal e violão e o Adilson Biju na bateria.
Continuávamos a ensaiar bastante, naquela empolgação de começo de banda que estava dando (muito) certo. A relação de amizade também se estreitando com todos. Enfim, um clima muito bom.
Entramos no ano 2000 a mil. Ou melhor, a milhão. Só que para bandas de rock os primeiros meses do ano são muito borocochô. Por conta de férias escolares, Carnaval etc.

O negócio então era ficar nos ensaios. Mas, eis que surge um convite inusitado. Os amigos do Bloco da Vaca perguntaram se a gente toparia tocar lá no QG, que aquele ano estava no prédio que serviu à Vara do Trabalho, em frente ao Posto Vá Ver, na então avenida 24 de Outubro. Queriam ver a “banda nova do Tião” em ação.
Na minha solteirice eu sempre fui frequentador assíduo da Vaca. Embora nunca tenha tocado na bateria, eu brinco que em alguns Carnavais eu cheguei a “morar” no QG, quando eu tinha por volta dos 20 anos de idade. Aliás, final dos 80 e início dos 90 para mim foi a melhor época da Vaca, com todo mundo na rua, QG aberto, todos se conheciam, aquela gandaia deliciosa.
Claro que o tempo vai mudando as coisas e com o Bloco da Vaca não foi diferente. Passaram a controlar a entrada no QG, entendo que visando a segurança e a preservação do ambiente sadio. E era assim que estava o QG do bloco naquele ano 2000.
O local era bem amplo, um baita salão, com direito a palco no local que servia como vitrine às lojas que por ali se instalaram um dia, colado às janelas de vidro. Também um amplo balcão e bar ficavam em frente, no lado oposto, e no meio do salão mesas e cadeiras.
Hesitamos um pouco em aceitar o convite. O motivo era óbvio. Será que ia rolar tocar rock num QG de bloco de Carnaval? Mas como tudo vinha dando muito certo, não custava tentar. Qualquer coisa eu puxava um Jorge Ben na guitarra e chamava a bateria do bloco pra acompanhar. Mas, claro, não precisou.
Acho que o show foi num sábado à noite, uma semana antes do Carnaval. Montamos um som pequeno. Só os amplificadores, uma mesinha e caixas para a voz. A acústica favorecia. A única diferença nesse show foi que o Ricardão pegou uma Fender Strato branca do amigo Rafael Loureiro para testar, ao invés de usar a famosa Penélope (Gibson Les Paul) sunburst.
Começamos a tocar e notamos que o público era um pouco diferente do nosso habitual. Eram pessoas mais, digamos, “maduras”, na faixa dos 40 anos em diante, ou então crianças, que corriam pra lá e pra cá. O ambiente familiar que caracterizava a Vaca nas épocas pré-Carnaval.
Tivemos então uma grande sacada. Priorizamos as músicas mais antigas e “leves” do repertório. Elvis, Beatles, Stones, Creedence, Janis... e bem aos poucos fomos eletrificando mais a coisa. Uma Rita Lee aqui, um Raul Seixas ali. E o resultado foi novamente excelente! O pessoal presente curtiu demais, para nossa satisfação também.
Este foi um dos shows que guardo com muito carinho na memória e em algumas fotos que tenho até hoje.

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Jornal do Porto TV