Sei que meus 45 leitores e meio estão adorando a saga músico-pessoal deste que vos tecla. Sucesso aqui e alhures (vamos gastar o vernáculo). Contudo, devido ao momento pelo qual passamos, resolvi falar um pouco sobre política. Coisa que tenho evitado fazer em rede social, porque aquilo lá virou um campo de guerra e da ignorância, quando não da pura imbecilidade.
Assim, meu pequeno ensaio é para buscar compreender e/ou explicar como um dos maiores partidos surgidos na redemocratização do País está em vias de ser rebaixado a uma legenda pequena e de pouca expressão nacional (e se perder o governo de São Paulo, então...). Sim, estou falando do PSDB.

Muita gente não entende o porquê de os tucanos não conseguirem levantar voo na campanha presidencial (desculpe a metáfora preguiçosa). Mas o raciocínio é fácil e simples. O partido cometeu dois enormes erros de estratégia e avaliação.
Em 2014, perdeu a acirrada eleição plebiscitária por míseros 3,28% dos votos. Ato contínuo, o segundo governo Dilma Rousseff teve início e não estava indo bem, por diversos fatores, inclusive a própria incompetência.
O que os tucanos deveriam ter feito? Sangrar o governo petista/peemedebista durante os seus 4 anos para vencerem triunfantes a eleição de 2018. Não teriam adversários. Fácil demais.
“Ah, mas e o #elenão?”, perguntará alguém. Ele seria uma Marina, nada muito além disso. Seria mais um exótico na disputa. Porque a maior parte de seus eleitores hoje, que são os antipetistas, estaria na canoa tucana, como estava em 2014. Não haveria motivo para saltar do barco, caso o PSDB cumprisse um papel de oposição forte, apontando o bico, digo, o dedo para as trapalhadas federais.
“Ah, mas e a Lava Jato?”, questionará o outro. Também não seria problema. Pode ver que muito pouca gente sente indignação com a corrupção tucana do mesmo modo que se revolta com a corrupção petista. Aqui no Sudeste maravilha, onde está a maior parte do eleitorado, e em especial na terra dos bandeirantes (argh!), a indignação é seletiva, em regra. Uai, até bandeirantes são enaltecidos, né mesmo?
Mas vamos voltar ao eixo do texto. O primeiro erro do PSDB, portanto, foi conspirar com o PMDB e os demais partidos fisiológicos (desculpe aqui o pleonasmo) para derrubar Dilma. E saiba você, eleitor paulista que vive na bolha conservadora, saudoso da ditadura, que o PT ainda é muito forte em algumas regiões do país. Tal atitude tucana – a conspiração – piorou a já medíocre simpatia que esses eleitores de outras plagas sentiam pelo partido. Não duvide, em muito lugar do país a queda de Dilma é considerada um golpe. Ah, no exterior também. “Primeiro a gente tira a Dilma...”, lembra do Jucá? Ok, se você não se lembra, na versão oficial a presidenta caiu devido às “pedaladas”. Pois é.
Bem, primeiro objetivo alcançado – a queda –, veio o segundo erro, admitido até pelo ex-presidente tucano Tasso Jereissati recentemente em entrevista: embarcar no governo Michel Temer! Provavelmente, o erro crasso. Aqui, a ganância pelo poder imediato falou mais alto. Só isso explica a falta de visão (para não dizer burrice) do tucanato.
O PSDB parece que desaprendeu a fazer política quando deixou a presidência da República, em 2002. A ótima avaliação dos sucessivos governos de Lula causou um atordoamento. Ficaram perdidos. Fazem falta na linha de frente tucana nomes como Mário Covas, Sérgio Motta (falecidos) e Fernando Henrique Cardoso. Este, que se tornou uma figura decorativa dentro da sigla, chegou a ser escondido pelos próprios pares na campanha de 2006, aquela em que Alckmin conseguiu a proeza de ter sua votação diminuída no segundo turno, em relação ao primeiro.
Agora, com a corda no pescoço, braços, mãos e pernas, tentam resgatar FHC, que tenta emplacar um discurso de “centro unido contra os extremos”. Ao que parece, não está vingando. Nem com todo aquele caminhão de tempo no horário eleitoral da TV. O Chuchu oscila um ponto pra cima, outro pra baixo. É um voo de galinha.
Como resultado disso e pelo que apontam as pesquisas, os eleitores moderados e/ou de centro não terão opção no segundo turno. Ou melhor, para esses será a dura opção do “menos pior”. Resta saber qual. O protofascista esfaqueado ou o poste com cara de tucano.

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