Seis deputados da bancada ruralista foram acusados pela organização Amazon Watch de atuar para crimes ambientais, sociais e econômicos relacionados à Amazônia brasileira. Cinco deles são candidatos às eleições 2018. As acusações constam no relatório divulgado há pouco pela organização não governamental, sediada na Califórnia, e que atua para a proteção da floresta tropical e dos direitos de povos indígenas na Bacia Amazônica do Brasil, Colômbia, Equador e Peru.
De acordo com o documento, os deputados federais Adilton Sachetti (PRB/MT), Alfredo Kaefer (PP/PR), Dilceu Sperafico (PP/PR) e Nelson Marquezelli (PTB/SP), e os deputados estaduais Adilton Sachetti (PRB/MT) e Jorge Amanajás (PPS/AP) são os autores dos crimes.

"Membros da bancada ruralista do Congresso do Brasil, representando uma facção conservadora do poderoso setor agroindustrial do país e em coordenação com indústrias extrativistas como a mineração, são os principais atores que impulsionam essa agenda retrógrada. Em um claro conflito de interesses, negócios e empresas de famílias de muitos legisladores ruralistas se beneficiam diretamente dos ataques legislativos", escreve.
A maneira como os parlamentares atuam é, segundo a Amazon Watch, retirando a proteção às florestas e os direitos à terra, "a fim de obter acesso irrestrito às áreas atualmente protegidas da atividade industrial". "Seu sucesso significaria um desastre para as florestas amazônicas brasileiras e os povos indígenas e tradicionais que os chamam de lar, enquanto comprometem a estabilidade climática global", adiciona.
O relatório "Cumplicidade na Destruição: Como os consumidores do Norte sustentam o assalto à Amazônia Brasileira e seus povos", da Amazon Watch, traça um perfil dos parlamentares em 32 páginas, sobre o apoio e as articulações dadas a empresas como a Coca-Cola, Schweppes e Granini, além do fundo de investimentos norte-americano BlackRock, para o desmonte da Amazônia. Estas empresas euroéias e norte-americanas, por sua vez, "compram e financiam os negócios ruralistas".
"Grande parte do poder político e econômico que possibilita a agenda ruralista é sustentada pelos comerciantes globais, consumidores e financiadores", aponta. A organização acredita que ao revelar os nomes destes parlamentares, "maus atores que estridentemente tentam minar as proteções da floresta tropical e seus povos para seu ganho pessoal", além de "identificar estas empresas globais, marcas domésticas e instituições financeiras que os capacitam", o problema poderá começar a ser enfrentado.
Adilton Sachetti (PRB/MT) é deputado federal pelo Mato Grosso, Jorge Amanajás (PPS/AP) foi deputado estadual por três mandatos (1999-2011) e ex-candidato ao Governo no Amapá, e Sidney Rosa (PSB/PA) é deputado estadual no Pará. Os três tentam uma vaga ao Senado este ano. Alfredo Kaefer (PP/PR) e Nelson Marquezelli (PTB/SP) têm coisas em comum: são deputados federais e candidatos à reeleição na Câmara em 2018. Também compartilham um histórico de lobbys no setor ruralista.
Kaefer está em seu terceiro mandato, foi dono de uma grande produtora agrícola de frangos, atualmente articula em defesa de interesses do setor automobilístico, e é alvo de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) por lavagem de dinheiro no financiamento de sua campanha. O deputado Marquezelli (PTB/SP) está envolvido em diversas acusações, entre elas de fazer lobby ao setor de transportes, além de ser um dos nomes alvos da denúncia da Procuradoria por organização criminosa no Ministério do Trabalho.
Já Dilceu Sperafico (PP/PR) é deputado federal, foi licenciado do mandato para ser secretário-chefe da Casa Civil de Cida Borghetti (PP) no Estado, aonde atua hoje também como secretário especial do Escritório do Paraná em Brasília. É o único que não tenta uma candidatura.
Na análise da organização, a bancada ruralista foi substancial para a derrubada de Dilma Rousseff: "De fato, o presidente Temer deve seu trabalho ao bloco ruralista, que ajudou a levá-lo ao poder apoiando o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016, mantendo-o no poder durante sucessivos esforços para investigá-lo por corrupção."
E são eles os que incorporam "o atual clima político retrógrado no Brasil", aprovando por exemplo o uso de uma variedade de pesticidas proibidos na Europa e Estados Unidos e inclusive a definição do trabalho escravo, "para beneficiar aqueles que empregam condições brutais de trabalhadores", além de defender o porte de armas em zonas de conflitos rurais e os ataqueas Á FUNAI.
"A influência do bloco sustenta a grande maioria das leis regressivas, ordens executivas e forte armação política citadas neste relatório. (...) Eles também garantiram que os proprietários de terras que foram multados em milhões de dólares por desmatamento ilegal se beneficiem de uma anistia patrocinada pelo Estado, eliminando suas dívidas e a responsabilidade de reflorestar essas áreas", continuou.
"A política altamente conservadora e a agenda ousada que caracterizam o bloco ruralista enfraquecem as políticas de administração ambiental do governo brasileiro e seu antigo respeito pelos direitos à terra, com graves consequências para a floresta amazônica e seus povos. De fato, um governo comprometido com uma economia extrativista e orientada para a exportação não pode também defender seu dever constitucional às minorias e proteções ambientais. No entanto, embora essas associações sejam relativamente claras, as relações corporativas e financeiras globais que fortalecem a base de poder ruralista não são", completa a Amazon.
Fonte: Jornal GGN

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