Boatos de que os postos de Porto Ferreira poderiam ficar sem combustível provocaram uma verdadeira “corrida” aos estabelecimentos desde a noite de quarta-feira (23). Devido à grande procura, alguns postos realmente liquidaram todo o estoque e na manhã desta quinta-feira produtos como a gasolina, etanol e diesel começaram a faltar.

O fenômeno se repetiu em praticamente todo o país. A escassez de combustível é resultado da greve dos caminhoneiros, que estão parados desde segunda-feira (21). Eles reivindicam mudança na nova política de preços da Petrobras, que varia conforme a alta do dólar e a oscilação do preço do barril de petróleo.
O aumento do diesel e outros combustíveis balançou o país nos últimos dias e, diante da resistência da estatal, tem colocado sob risco de colapso diversos nichos da economia popular. Mas a petrolífera e o próprio Executivo não têm outra alternativa senão recuar, dizem líderes dos transportadores de carga, e garantir estabilidade dos valores por ao menos seis meses. Enquanto isso, em alguns lugares do país o valor do litro da gasolina já subiu a mais de R$ 8.
A greve dos caminhoneiros pode provocar um efeito cascata. Outras categorias vão iniciar suas próprias greves a partir desta, o que pode apertar o nó no pescoço do governo Michel Temer (MDB). Abatido por denúncias de corrupção e por impopularidade recorde, o emedebista cedeu a auxiliares e a caciques de sua base aliada no Congresso a tarefa de fazer frente ao impasse. Presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva foi à primeira reunião na Casa Civil, que consumiu três horas no final desta quarta-feira (23), e depois fez um relato sobre a situação de fragilidade do governo frente à ação de milhares de caminhoneiros mobilizados pelo país.
Daqui para frente não vamos abrir não. Tem que mudar. Eles viram que, com o país parado, não é brincadeira. Tem pessoas que estão aqui [em Brasília] e foram viajar, mas estão voltando para o hotel porque no aeroporto não tem querosene para os aviões, pois os caminhões [transportadores] estão parados lá em Goiânia, não conseguem passar. O governo entendeu que não tem para onde correr. O que estamos percebendo é que a sociedade também vai entrar nessa história”, declarou o dirigente ao site Congresso em Foco, pouco depois da reunião na Casa Civil com ministros e deputados.
As mobilizações entram no quarto dia e estão em curso em quase todos os estados do país. Basicamente focados na interrupção do abastecimento e no bloqueio de rodovias, os protestos são encabeçadas pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), com apoio de diversas outras entidades do setor, como a própria Unicam e a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que representa principalmente os empresários da área. Segundo informações veiculadas pela imprensa nos últimos dias, variam entre 200 e 300 os focos de protestos.

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Jornal do Porto TV